Rua de Miguel Bombarda: a Rua das Galerias

Why is it significant?

Caminha devagar pela Rua de Miguel Bombarda e espreita para dentro de cada porta. Galerias de arte, umas minúsculas, outras de paredes brancas e luz de museu, lojas de design, de ilustração, de discos, livrarias independentes e murais pintados nas paredes.

Key Facts

PlaceRua de Miguel Bombarda: a Rua das Galerias
AddressRua de Miguel Bombarda, 4050-377 Porto, Portugal
Geo Coordinates41.14980, -8.61850
Part of WalkDo Românico às Galerias: Arte no Porto entre Cedofeita, os Clérigos e a Rua de Miguel Bombarda
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Caminha devagar pela Rua de Miguel Bombarda e espreita para dentro de cada porta. Galerias de arte, umas minúsculas, outras de paredes brancas e luz de museu, lojas de design, de ilustração, de discos, livrarias independentes e murais pintados nas paredes. É a rua onde o Porto mostra a arte que ainda não entrou nos museus.

O nome é de Miguel Bombarda, médico psiquiatra e político republicano, diretor do hospital de alienados de Rilhafoles, em Lisboa. Foi assassinado a tiro por um antigo doente a 3 de outubro de 1910, na véspera da revolução que proclamou a República. Muitos republicanos tomaram a morte como sinal para avançar... e dois dias depois Portugal deixou de ter rei.

A transformação da rua começou nos anos noventa, quando os primeiros galeristas se instalaram aqui, atraídos pelas casas antigas com rés do chão amplo e por rendas mais baixas do que no centro. Em poucos anos isto virou o bairro das artes, e as galerias passaram a inaugurar exposições ao mesmo tempo, em sábados combinados, com a rua cheia de gente de copo na mão a passar de porta em porta.

Repara num velho centro comercial transformado em ninho de lojas criativas, nos quintais escondidos ao fundo dos corredores, nas fachadas de azulejo de padrão como as que leste em Cedofeita. A arte contemporânea instalou-se dentro da cidade velha sem a demolir. É talvez a lição mais bonita deste passeio: o novo não precisa de apagar o antigo para ter lugar.

Começaste numa igreja românica com quase novecentos anos e acabas numa rua de galerias onde a tinta ainda está fresca. Pelo caminho viste o barroco de Nasoni, os azulejos do Carmo, a cela de Camilo, os homens que riem na Cordoaria e a saudade em mármore de Soares dos Reis. Ao fundo da rua voltas a encontrar a Rua de Cedofeita, e a Baixa fica a poucos minutos a pé... mas não te apresses. No Porto, a arte quer-se vista devagar.

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