Hospital de Santo António: um Palácio Inglês
Why is it significant?
Recua o suficiente para caber a fachada no olhar: colunas, frontão, janelas em fila, uma escala que parece pensada para uma capital. É o Hospital de Santo António, e tem muito mais ar de palácio inglês do que de hospital português. E é quase isso.
Key Facts
| Place | Hospital de Santo António: um Palácio Inglês |
|---|---|
| Address | Largo do Professor Abel Salazar, 4099-001 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.14710, -8.61910 |
| Part of Walk | Do Românico às Galerias: Arte no Porto entre Cedofeita, os Clérigos e a Rua de Miguel Bombarda |
| Generated | Generated |
Recua o suficiente para caber a fachada no olhar: colunas, frontão, janelas em fila, uma escala que parece pensada para uma capital. É o Hospital de Santo António, e tem muito mais ar de palácio inglês do que de hospital português.
E é quase isso. Foi a Santa Casa da Misericórdia do Porto que o encomendou, e o projeto veio de Inglaterra, do arquiteto John Carr, de York, que nunca chegou a vir à cidade. A obra começou em 1770, numa época em que a comunidade inglesa do vinho do Porto tinha peso, dinheiro e gosto, e trouxe para a margem do Douro o neopaladianismo inglês, uma arquitetura de simetria, colunas e calma.
O projeto era gigantesco: um grande quadrilátero com pátio central. Se olhares com atenção, vais perceber que nunca foi acabado como Carr o desenhou. Faltou dinheiro, mudaram os tempos, e o hospital foi crescendo aos bocados ao longo de décadas. É um dos maiores edifícios neoclássicos de Portugal e, ao mesmo tempo, um sonho inglês interrompido a meio da frase.
O largo à frente chama-se Professor Abel Salazar, e o nome merece uma pausa. Abel Salazar foi médico, investigador e professor de medicina no Porto, e também pintor e desenhador de grande talento. O regime de Salazar, que não era seu parente, afastou-o da universidade nos anos trinta por causa das suas ideias. Ele continuou a investigar e a pintar operários, lavadeiras e mulheres do povo, e a cidade guarda hoje essa obra com orgulho.
Repara como a arte aparece onde menos se espera: um cientista que desenhava, um hospital desenhado por um arquiteto de palácios. Agora contorna o hospital e segue para poente pela Rua de Dom Manuel II, uns duzentos metros, até um palácio cor de pedra com um portão de ferro. Lá dentro está a estátua mais triste de Portugal.