Rua de Cedofeita: Ler as Fachadas de Azulejo
Why is it significant?
Abranda a meio da Rua de Cedofeita e olha para as fachadas, não para as montras. Casas estreitas de três e quatro andares, varandas de ferro, portas altas de madeira, e paredes inteiras forradas de azulejos de padrão, verdes, azuis, amarelos, alguns com relevo que se sente com a ponta dos dedos.
Key Facts
| Place | Rua de Cedofeita: Ler as Fachadas de Azulejo |
|---|---|
| Address | Rua de Cedofeita, 4050-180 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.15250, -8.61860 |
| Part of Walk | Do Românico às Galerias: Arte no Porto entre Cedofeita, os Clérigos e a Rua de Miguel Bombarda |
| Generated | Generated |
Abranda a meio da Rua de Cedofeita e olha para as fachadas, não para as montras. Casas estreitas de três e quatro andares, varandas de ferro, portas altas de madeira, e paredes inteiras forradas de azulejos de padrão, verdes, azuis, amarelos, alguns com relevo que se sente com a ponta dos dedos.
No Porto, o azulejo na fachada é sobretudo uma moda do século XIX. Durante séculos o azulejo tinha vivido dentro das igrejas e dos palácios; de repente saiu à rua e passou a vestir casas de comerciantes. Diz-se que os portugueses que voltavam ricos do Brasil, os chamados brasileiros de torna-viagem, trouxeram o gosto pelas fachadas de azulejo, que lá protegiam as casas do calor e da humidade. Seja como for, o Porto adotou-o com um entusiasmo que ainda hoje se vê.
Repara na diferença entre os padrões. Alguns são estampados, com o desenho repetido como papel de parede. Outros são em relevo, com flores e estrelas a saírem do barro. As fábricas da zona, em Massarelos e em Vila Nova de Gaia, produziam-nos aos milhares, e cada proprietário escolhia o seu padrão como quem escolhe um tecido. Uma rua destas é um mostruário de arte industrial ao ar livre, e quase ninguém repara.
Agora espreita, se vires um corredor estreito entre duas portas. Muitas vezes, no Porto, atrás das fachadas bonitas escondiam-se as ilhas: filas de casinhas minúsculas construídas nos quintais, no século XIX, para os operários das fábricas, com uma única passagem para a rua. A fachada era para os outros verem; a vida dura ficava lá atrás. Algumas ilhas ainda existem, e há quem as recupere hoje com muito orgulho.
A Rua de Cedofeita sempre foi rua de comércio, de alfaiates, retrosarias, sapatarias e cafés de bairro, e hoje mistura lojas antigas com lojas de design. Continua a descer até ao fim, onde a rua desagua numa praça com jardim, esplanadas e um monumento de guerra: a Praça de Carlos Alberto.