Museu Nacional Soares dos Reis: O Desterrado

Why is it significant?

Atravessa o portão e para no pátio do Palácio dos Carrancas, uma casa nobre do final do século XVIII, comprida e sóbria, de janelas regulares. Hoje é o Museu Nacional Soares dos Reis, e é aqui que o Porto guarda boa parte da sua arte. O museu é mais antigo do que a sua presença neste palácio.

Key Facts

PlaceMuseu Nacional Soares dos Reis: O Desterrado
AddressRua de Dom Manuel II 44, 4050-522 Porto, Portugal
Geo Coordinates41.14830, -8.62140
Part of WalkDo Românico às Galerias: Arte no Porto entre Cedofeita, os Clérigos e a Rua de Miguel Bombarda
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Atravessa o portão e para no pátio do Palácio dos Carrancas, uma casa nobre do final do século XVIII, comprida e sóbria, de janelas regulares. Hoje é o Museu Nacional Soares dos Reis, e é aqui que o Porto guarda boa parte da sua arte.

O museu é mais antigo do que a sua presença neste palácio. Foi fundado em 1833 por D. Pedro IV, em pleno cerco do Porto, com pinturas recolhidas dos conventos abandonados, e é considerado o primeiro museu público de arte do país. Imagina: uma cidade bombardeada, com fome e cólera, e um rei a pensar em quadros. Só no século XX as coleções se mudaram para aqui.

O palácio tem a sua própria lenda. Em 1809, durante a segunda invasão francesa, o marechal Soult instalou-se nesta casa. Quando as tropas de Wellesley, o futuro duque de Wellington, atravessaram o Douro de surpresa, Soult fugiu tão depressa que, conta-se, o inglês se sentou à mesa e comeu o jantar que tinha sido preparado para o francês.

Mas a peça que vieste ver é uma escultura de mármore branco: O Desterrado, de António Soares dos Reis. Um jovem nu, sentado numa rocha, com as mãos entrelaçadas sobre os joelhos e o olhar perdido. Soares dos Reis esculpiu-o em Roma, em 1872, quando era bolseiro e estava longe de casa, e muitos portugueses veem nele a saudade feita pedra. O escultor, nascido em Vila Nova de Gaia, teve uma vida difícil e pôs fim à própria vida em 1889, no seu atelier.

Lá dentro há ainda pintura portuguesa do século XIX, cerâmica, ourivesaria e biombos Namban que contam a velha ligação de Portugal ao Oriente. Quando saíres, sobe para norte por uma das ruas transversais até à Rua de Miguel Bombarda. Depois de tanta arte de museu, vais ver a arte que ainda está a nascer.

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