Igreja Românica de Cedofeita: a Igreja Feita Depressa
Why is it significant?
Para no pequeno largo e repara no contraste. Ao lado tens uma igreja grande, do século XX; à tua frente, uma igrejinha de granito escuro, baixa e robusta, com paredes grossas e janelas estreitas como frestas.
Key Facts
| Place | Igreja Românica de Cedofeita: a Igreja Feita Depressa |
|---|---|
| Address | Largo do Priorado, 4050-454 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.15580, -8.62170 |
| Audio Duration | ~2 min |
| Part of Walk | Do Românico às Galerias: Arte no Porto entre Cedofeita, os Clérigos e a Rua de Miguel Bombarda |
| Generated | Generated |
Para no pequeno largo e repara no contraste. Ao lado tens uma igreja grande, do século XX; à tua frente, uma igrejinha de granito escuro, baixa e robusta, com paredes grossas e janelas estreitas como frestas. É a Igreja Românica de Cedofeita, e é muito provavelmente o edifício mais antigo que vais ver hoje. O nome esconde uma lenda em latim. Conta-se que, no século VI, o rei suevo Teodomiro, que governava a partir de Braga, tinha um filho gravemente doente e mandou buscar relíquias de São Martinho de Tours. O filho curou-se, o rei converteu-se, e mandou erguer aqui uma igreja tão depressa que lhe chamaram cito facta, feita depressa. De cito facta a Cedofeita foi um saltinho de muitos séculos. O edifício que vês não é do século VI, claro. É românico, do século XII, levantado sobre construções mais antigas, e é um dos raros testemunhos desse estilo que sobreviveram dentro da cidade. Repara nos capitéis do portal, com motivos vegetais e animais talhados em granito, uma pedra dura que não perdoa um golpe de cinzel mal dado. Os canteiros medievais não assinavam as obras, mas deixaram aqui o primeiro museu de escultura do Porto, ao ar livre e sem bilheteira. Durante séculos, isto não era cidade nenhuma. Cedofeita era um couto, uma terra à parte, com privilégios próprios, fora das muralhas do Porto, no meio de campos e quintas. Só no século XIX a cidade a engoliu, com ruas novas, oficinas e casas de operários. A igrejinha ficou, encolhida entre prédios, como uma avó que não sai do seu canto da sala. Este passeio é sobre arte e começa aqui por uma razão: vais caminhar do mais antigo para o mais novo, da pedra românica às galerias de arte contemporânea. Segue agora até à Rua de Cedofeita, a rua comprida que leva o nome desta igreja, e desce-a para sul, devagar, de olhos postos nas fachadas.