Igrejas do Carmo e dos Carmelitas: a Casa Escondida

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Põe-te de frente para as duas igrejas e olha para o meio delas. À esquerda, a Igreja dos Carmelitas, sóbria; à direita, a Igreja do Carmo, barroca e rococó. E entre as duas... uma fachada estreitíssima, com uma porta e janelas, que parece uma ranhura aberta no granito. Essa ranhura é uma casa.

Key Facts

PlaceIgrejas do Carmo e dos Carmelitas: a Casa Escondida
AddressRua do Carmo, 4050-164 Porto, Portugal
Geo Coordinates41.14750, -8.61630
Part of WalkDo Românico às Galerias: Arte no Porto entre Cedofeita, os Clérigos e a Rua de Miguel Bombarda
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Põe-te de frente para as duas igrejas e olha para o meio delas. À esquerda, a Igreja dos Carmelitas, sóbria; à direita, a Igreja do Carmo, barroca e rococó. E entre as duas... uma fachada estreitíssima, com uma porta e janelas, que parece uma ranhura aberta no granito.

Essa ranhura é uma casa. Com cerca de um metro de largura, é uma das casas mais estreitas do Porto, e foi construída entre as duas igrejas para que elas não partilhassem a mesma parede. A explicação mais repetida é que a Igreja dos Carmelitas pertencia a um convento de freiras e a do Carmo a uma ordem de homens, e não se queria os dois edifícios encostados. A casinha servia de fronteira... e conta-se que houve gente a viver nela até ao final do século XX.

Agora dá a volta à Igreja do Carmo pela Rua do Carmo e olha para a parede lateral. O grande painel de azulejos foi feito em 1912, com desenho de Silvestre Silvestri, e mostra cenas ligadas à Ordem do Carmo e ao Monte Carmelo. Mais uma vez, o Porto do século XX a pintar azul à maneira antiga, em ponto grande, para ser visto da rua e da janela do elétrico que passa mesmo ao lado.

Repara ainda na diferença de idades. A Igreja dos Carmelitas é do século XVII, de linhas austeras, quase militares; a do Carmo é do século XVIII, cheia de curvas, conchas e movimento. Duas épocas, duas ordens religiosas, dois gostos, e uma casa de um metro a impedir que se tocassem. Se entrares, a talha dourada do Carmo vai mostrar-te até onde o barroco portuense estava disposto a ir.

Agora segue para poente, contornando o topo do jardim da Cordoaria, até um edifício neoclássico gigantesco, de colunas e frontão, que ocupa um quarteirão inteiro. Parece um palácio inglês, e de certa forma é.

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