Jardim da Cordoaria: Treze a Rir Uns dos Outros
Why is it significant?
Entra no jardim e procura-os entre as árvores: figuras cinzentas, quase do tamanho de uma pessoa, umas de pé, outras empoleiradas, todas parecidas, todas a rir. Riem-se umas das outras, de boca aberta, e de repente sentes que também se estão a rir de ti.
Key Facts
| Place | Jardim da Cordoaria: Treze a Rir Uns dos Outros |
|---|---|
| Address | Campo dos Mártires da Pátria, 4050-366 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.14530, -8.61700 |
| Part of Walk | Do Românico às Galerias: Arte no Porto entre Cedofeita, os Clérigos e a Rua de Miguel Bombarda |
| Generated | Generated |
Entra no jardim e procura-os entre as árvores: figuras cinzentas, quase do tamanho de uma pessoa, umas de pé, outras empoleiradas, todas parecidas, todas a rir. Riem-se umas das outras, de boca aberta, e de repente sentes que também se estão a rir de ti.
A obra chama-se Treze a Rir Uns dos Outros e é do escultor espanhol Juan Muñoz. Foi feita para o Porto 2001, o ano em que a cidade foi Capital Europeia da Cultura. Muñoz era um dos grandes nomes da escultura contemporânea, conhecido por pôr figuras humanas em situações estranhas, à espera, a observar, a conversar sem se ouvirem. Morreu nesse mesmo ano de 2001, com apenas quarenta e oito anos, e esta acabou por ser uma das suas últimas obras.
Repara como cada figura olha para outro lado, como o riso passa de uma para outra sem nunca chegar a lado nenhum. Ninguém sabe do que se riem. Talvez das pessoas que passam. Talvez da própria cidade, sempre tão séria no seu granito. É arte contemporânea que não pede licença: está no meio de um jardim público, ao alcance de crianças, pombos e reformados que vêm conversar para a sombra.
O nome Cordoaria vem dos cordoeiros, os artesãos que aqui esticavam e torciam as cordas e os cabos de que os barcos precisavam, num terreiro comprido e aberto que servia na perfeição. Oficialmente, o jardim chama-se de João Chagas, um jornalista republicano ligado à revolta de 31 de janeiro de 1891. Repara também nas árvores antigas, de troncos retorcidos e grossos: há quem diga que são elas o verdadeiro monumento do jardim.
Agora sai pelo lado norte do jardim e sobe uns metros. Vais dar de caras com duas igrejas encostadas uma à outra, uma delas com uma parede lateral inteira de azulejos, e entre elas um segredo com um metro de largura.