Teatro Romano: o palco escondido de Olisipo
Why is it significant?
Encosta-te ao gradeamento e espreita lá para baixo: degraus de pedra em meia-lua, restos de colunas, um pedaço de palco. Por cima, prédios com roupa a secar à janela. Estás a ver as bancadas de um teatro romano espremidas entre as casas da Alfama.
Key Facts
| Place | Teatro Romano: o palco escondido de Olisipo |
|---|---|
| Address | Rua de São Mamede 3A, 1100-532 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71070, -9.13240 |
| Part of Walk | Alfama e Castelo de São Jorge: a Lisboa mais antiga, do cerco de 1147 aos becos |
| Generated | Generated |
Encosta-te ao gradeamento e espreita lá para baixo: degraus de pedra em meia-lua, restos de colunas, um pedaço de palco. Por cima, prédios com roupa a secar à janela. Estás a ver as bancadas de um teatro romano espremidas entre as casas da Alfama.
Lisboa chamava-se então Olisipo, e no tempo do imperador Augusto ganhou o título pomposo de Felicitas Iulia. O teatro foi construído nessa época, cavado na encosta e virado para o rio, de maneira que o público tinha o Tejo como cenário de fundo. No ano 57, no reinado de Nero, um homem rico chamado Caio Heio Primo pagou a renovação do palco e deixou o nome bem gravado em pedra, para ninguém esquecer a sua generosidade. Há coisas que não mudam em dois mil anos.
O mais extraordinário é a maneira como foi descoberto. Depois do terramoto de 1755, quando se limpavam escombros e se abriam alicerces para reconstruir, apareceram as bancadas. Um arquiteto italiano que trabalhava em Lisboa, Francesco Fabri, desenhou tudo com cuidado em 1798... e depois a cidade voltou, simplesmente, a construir casas por cima. O teatro desapareceu outra vez, durante mais de século e meio.
Só a partir de 1964 é que escavações a sério o trouxeram de volta à luz, e em 2001 abriu aqui um museu, hoje parte do Museu de Lisboa. Os arqueólogos continuam a encontrar pedaços: estátuas, inscrições, decoração do palco, objetos do dia a dia de quem vinha ao espetáculo. Cada obra num prédio vizinho é uma pequena lotaria, e os moradores da rua já se habituaram a ter arqueólogos à porta.
Imagina a cena numa noite de festa: tochas, máscaras, gargalhadas, mercadores a discutir negócios nas bancadas, o rio a brilhar lá em baixo. Dois mil anos depois, o barulho que sobe da rua é o do elétrico 28 a gemer na curva. Continua agora pela Rua da Saudade e pela Rua do Limoeiro até ao miradouro, onde um jardim de buganvílias se debruça sobre os telhados da Alfama.