Miradouro de Santa Luzia e Portas do Sol: a Alfama aos teus pés
Why is it significant?
Debruça-te no parapeito e deixa os olhos cair pelos telhados: cúpulas, chaminés, roupa estendida, o casario a escorregar até ao rio e, lá ao fundo, o Tejo tão largo que parece mar. À tua volta, uma pérgola de buganvílias e bancos de azulejo. Estás em cima de uma muralha com mil anos.
Key Facts
| Place | Miradouro de Santa Luzia e Portas do Sol: a Alfama aos teus pés |
|---|---|
| Address | Largo de Santa Luzia, 1100 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71170, -9.13020 |
| Part of Walk | Alfama e Castelo de São Jorge: a Lisboa mais antiga, do cerco de 1147 aos becos |
| Generated | Generated |
Debruça-te no parapeito e deixa os olhos cair pelos telhados: cúpulas, chaminés, roupa estendida, o casario a escorregar até ao rio e, lá ao fundo, o Tejo tão largo que parece mar. À tua volta, uma pérgola de buganvílias e bancos de azulejo. Estás em cima de uma muralha com mil anos.
Este terraço assenta na Cerca Moura, a muralha que protegia a Lisboa islâmica. A igreja ao lado, de Santa Luzia, pertence há séculos à Ordem de Malta, os antigos cavaleiros hospitalários. Vira-te para a parede exterior dela e repara nos painéis de azulejo: um mostra o Terreiro do Paço antes de 1755, com o palácio real que o terramoto engoliu; o outro mostra o assalto ao castelo em 1147, com os cristãos a forçar uma porta.
Nesse painel está a lenda de Martim Moniz, o cavaleiro que se terá atravessado numa porta do castelo para impedir que a fechassem, morrendo esmagado para que os companheiros entrassem. Os relatos escritos no tempo do cerco não falam dele... mas Lisboa deu-lhe uma praça e uma estação de metro, que é mais do que muitos heróis comprovados alguma vez conseguiram.
Dá agora uns passos até ao Largo das Portas do Sol. O nome vem de uma das portas da muralha, virada a nascente, por onde entrava o primeiro sol da manhã. Lá está a estátua de São Vicente, o verdadeiro padroeiro de Lisboa, com um barco nas mãos e corvos pousados. Conta a lenda que, em 1173, as relíquias do santo vieram do Algarve até aqui de barco, guardadas por dois corvos que nunca as largaram. É por isso que há um barco e dois corvos no brasão da cidade, que vais encontrar em todo o lado, dos candeeiros às bandeiras da câmara.
Mesmo ao lado fica um palácio do século XVII onde o banqueiro Ricardo Espírito Santo Silva instalou, em 1953, uma fundação de artes decorativas, com oficinas que ainda hoje restauram móveis à moda antiga. Agora vira as costas ao rio e sobe pela Travessa de Santa Luzia e pela Rua do Chão da Feira até ao portão do castelo. É a subida mais dura do passeio... respira fundo, que vale a pena.