Sé de Lisboa: a catedral-fortaleza e o santo da casa

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Olha para estas duas torres quadradas, com ameias no topo, e diz-me lá se isto parece uma igreja ou um castelo. A resposta certa é: as duas coisas. A Sé de Lisboa nasceu numa cidade acabada de conquistar, e quem a desenhou sabia que podia vir a precisar de se defender.

Key Facts

PlaceSé de Lisboa: a catedral-fortaleza e o santo da casa
AddressLargo da Sé, 1100-585 Lisboa, Portugal
Geo Coordinates38.70970, -9.13350
Part of WalkAlfama e Castelo de São Jorge: a Lisboa mais antiga, do cerco de 1147 aos becos
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Olha para estas duas torres quadradas, com ameias no topo, e diz-me lá se isto parece uma igreja ou um castelo. A resposta certa é: as duas coisas. A Sé de Lisboa nasceu numa cidade acabada de conquistar, e quem a desenhou sabia que podia vir a precisar de se defender.

A obra começou pouco depois de 1147, quando D. Afonso Henriques tomou Lisboa aos mouros com a ajuda de cruzados vindos do Norte da Europa. O primeiro bispo nem sequer era português: era um inglês, Gilberto de Hastings, que tinha chegado com a frota. E a tradição diz que a catedral foi levantada no sítio da mesquita principal da cidade islâmica. Nas escavações do claustro, lá atrás, apareceram uma rua romana, casas do tempo muçulmano e estruturas que muitos arqueólogos ligam a essa mesquita.

Esta fachada também já viu sangue. Em dezembro de 1383, em plena crise que acabaria por pôr o Mestre de Avis no trono, uma multidão desconfiada do bispo, tido como amigo de Castela, subiu à torre e atirou-o lá de cima. Chamava-se D. Martinho. Lisboa, quando se zanga, não é tão doce como os postais.

Mas o grande nome desta casa é outro. Por volta de 1195 nasceu aqui ao lado um rapaz chamado Fernando de Bulhões, que foi batizado nesta Sé. O mundo conhece-o como Santo António de Pádua, porque morreu em Itália, em 1231. Nós chamamos-lhe Santo António de Lisboa, e ponto final. A igreja pequenina aqui ao lado foi construída sobre a casa onde, segundo a tradição, ele nasceu. E agora o paradoxo: o padroeiro oficial de Lisboa é São Vicente, mas quem tem feriado municipal, sardinhas, manjericos e casamentos é o António.

O que vês hoje também é fruto de uma escolha política. O terramoto de 1755 estragou muito, e nos anos trinta e quarenta do século passado o Estado Novo raspou os acrescentos barrocos para devolver à Sé um ar medieval mais puro do que talvez alguma vez tenha tido. Agora sobe a Rua Augusto Rosa, a rua do elétrico, e procura à esquerda a Rua de São Mamede. Uns cem passos acima há um teatro onde ninguém atua há muitos séculos.

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