Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros e a gaiola pombalina

Why is it significant?

Pela fachada nunca adivinharias: um prédio pombalino como os outros, com uma agência bancária no piso térreo. Mas debaixo dos teus pés há quase dois mil anos de Lisboa empilhados, e uma parte pode ser visitada com guia.

Key Facts

PlaceNúcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros e a gaiola pombalina
AddressRua dos Correeiros, 1100 Lisboa, Portugal
Geo Coordinates38.71000, -9.13700
Part of WalkBaixa Pombalina: a Lisboa que renasceu do terramoto de 1755
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Pela fachada nunca adivinharias: um prédio pombalino como os outros, com uma agência bancária no piso térreo. Mas debaixo dos teus pés há quase dois mil anos de Lisboa empilhados, e uma parte pode ser visitada com guia.

Quando o banco fazia obras, no início dos anos noventa, apareceu tudo: tanques romanos onde se salgava peixe e se preparava o garum, o molho que Olisipo vendia para o império, restos de casas, sepulturas, vestígios da Lisboa islâmica e da medieval. Em vez de tapar tudo e seguir em frente, o banco decidiu manter as ruínas debaixo do edifício e mostrá-las. Aqui, a Rua dos Correeiros tem uma cave literalmente arqueológica.

Mas a parte mais surpreendente é a mais recente: as fundações pombalinas. A Baixa foi reconstruída em terreno mole, de aterros e areias, sobre um antigo braço do rio. Para segurar os prédios, cravaram-se milhares de estacas de pinho, lado a lado, com grelhas de madeira por cima. Debaixo de água, sem ar, a madeira não apodrece. Toda a Baixa está, literalmente, pousada numa floresta enterrada.

E por cima dessa floresta ergueu-se a invenção mais famosa da reconstrução: a gaiola pombalina. Dentro das paredes de alvenaria esconde-se uma estrutura de madeira com travessas em cruz, a chamada cruz de Santo André, que deixa o prédio balançar sem cair quando a terra treme. As peças eram padronizadas, quase pré-fabricadas, para construir depressa. Conta-se que os modelos foram testados com tropas a marchar à volta, para imitar um sismo... a história pode ter mais de lenda do que de relatório, mas a ideia era essa.

Há uma condição para tudo isto funcionar: as estacas têm de estar sempre molhadas. Se o nível da água baixar, por causa de obras, túneis ou caves fundas, o pinho apanha ar e começa a apodrecer. É uma preocupação real dos engenheiros de hoje, e também uma razão para olhar com desconfiança para quem arranca o miolo destes prédios e só deixa a fachada. Agora sobe a Rua dos Correeiros, sempre a direito para norte, até uma praça grande com um rei a cavalo.

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