Igreja de São Miguel e a Judiaria de Alfama

Why is it significant?

Estás num largo pequeno e inclinado, com uma palmeira altíssima e uma igreja de fachada sóbria que não te prepara para o que tem lá dentro. Se a porta estiver aberta, espreita: talha dourada a subir pelas paredes, como uma caixa de joias escondida no meio das casas.

Key Facts

PlaceIgreja de São Miguel e a Judiaria de Alfama
AddressLargo de São Miguel, 1100 Lisboa, Portugal
Geo Coordinates38.71110, -9.12940
Part of WalkAlfama e Castelo de São Jorge: a Lisboa mais antiga, do cerco de 1147 aos becos
GeneratedGenerated

Open the walk

Estás num largo pequeno e inclinado, com uma palmeira altíssima e uma igreja de fachada sóbria que não te prepara para o que tem lá dentro. Se a porta estiver aberta, espreita: talha dourada a subir pelas paredes, como uma caixa de joias escondida no meio das casas.

São Miguel é uma das paróquias mais antigas da Alfama, com raízes logo a seguir à conquista cristã. A igreja que vês foi refeita no fim do século XVII e, pousada como está na rocha, aguentou o terramoto bem melhor do que as igrejas da cidade baixa. É por isso que a Alfama guarda interiores barrocos que, no resto de Lisboa, se perderam entre escombros e incêndios.

Desce agora uns metros até ao Largo de São Rafael. Ali ao lado começa a Rua da Judiaria, e o nome não é decoração: esta era a judiaria da Alfama, um dos bairros judeus da Lisboa medieval, com sinagoga e vida própria. Em 1496, D. Manuel I decretou a expulsão dos judeus que não se convertessem, e no ano seguinte a maioria foi batizada à força. Os que ficaram passaram a ser chamados cristãos-novos, e muitos dos seus filhos e netos acabariam, décadas depois, diante da Inquisição.

No Largo de São Rafael vês também um pedaço maciço de torre, que fazia parte da Cerca Moura. É um dos poucos troços da velha muralha islâmica que ainda se mostra assim, de cara lavada, no meio das casas e dos vasos de flores. Mouros, judeus, cristãos... a história de três religiões cabe aqui em cem metros de Alfama.

Agora uma coisa mais leve. Em junho, este largo é um dos palcos dos arraiais, com grelhadores na rua, vizinhos a vender sardinha no pão e caldo verde à janela, e colunas de som a tocar marchas e pimba até às tantas. Se vieres nessa altura, prepara-te para cheirar a fumo durante três dias. Segue agora pela Rua de São Pedro, a rua comercial do bairro, cheia de mercearias e peixarias, até ao largo onde a Alfama ia buscar água.

Nearby stories