Rua de O Século: jornais e o berço de Pombal

Why is it significant?

Caminha devagar por esta rua comprida e um pouco austera, até ao largo em meia-lua com um chafariz, e repara nos palácios de um lado e do outro. Num deles funciona hoje um ministério. Durante quase cem anos, saía dali, todas as madrugadas, um dos jornais mais lidos do país: O Século.

Key Facts

PlaceRua de O Século: jornais e o berço de Pombal
AddressRua de O Século 51, 1200 Lisboa, Portugal
Geo Coordinates38.71220, -9.14770
Part of WalkA Lisboa de Pessoa: Chiado e Bairro Alto, de livro em livro
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Caminha devagar por esta rua comprida e um pouco austera, até ao largo em meia-lua com um chafariz, e repara nos palácios de um lado e do outro. Num deles funciona hoje um ministério. Durante quase cem anos, saía dali, todas as madrugadas, um dos jornais mais lidos do país: O Século. A rua acabou por lhe herdar o nome.

Antes disso, esta era a Rua Formosa, e foi aqui, na casa da família Carvalho, que nasceu em 1699 Sebastião José de Carvalho e Melo, o futuro Marquês de Pombal. O homem que reconstruiu Lisboa depois do terramoto, que expulsou os jesuítas e que governou o reino com mão de ferro, começou a vida nesta calçada. Quando O Século se instalou, em 1880, chegou a ocupar parte da casa onde o marquês nascera.

No século XIX, todo o Bairro Alto à tua volta virou bairro de jornais. Havia tipografias nos rés-do-chão, redações nos andares de cima e ardinas, os miúdos que vendiam os jornais, a correr pelas ruas aos gritos com as manchetes. O Diário de Notícias, fundado em 1864, nasceu numa rua aqui perto que hoje tem o nome dele.

E foi no Diário de Notícias que, em 1870, dois jovens, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, publicaram em cartas anónimas uma história de rapto e mistério numa estrada de Sintra. Conta-se que houve leitores convencidos de que era tudo verdade. Assim nasceu O Mistério da Estrada de Sintra, muitas vezes apontado como o primeiro romance policial português... estreado nas páginas de um jornal deste bairro.

Os jornais também conheceram a censura. Durante o Estado Novo, cada página passava pelo lápis azul dos censores antes de ir para as máquinas. O Século fechou em 1977, já depois da revolução, e muitas tipografias do bairro deram lugar a bares e casas de fado. Atravessa agora o Bairro Alto para nascente, pela sua grelha de ruas do século XVI, e desce até à praça onde Camões te espera.

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