Largo de Camões
Why is it significant?
Para no centro da praça, entre os pombos e os elétricos amarelos que fazem a curva, e levanta os olhos: lá em cima, num pedestal altíssimo, Luís de Camões, de espada à cinta, olha por cima de toda a gente.
Key Facts
| Place | Largo de Camões |
|---|---|
| Address | Praça Luís de Camões, 1200 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71060, -9.14340 |
| Part of Walk | A Lisboa de Pessoa: Chiado e Bairro Alto, de livro em livro |
| Generated | Generated |
Para no centro da praça, entre os pombos e os elétricos amarelos que fazem a curva, e levanta os olhos: lá em cima, num pedestal altíssimo, Luís de Camões, de espada à cinta, olha por cima de toda a gente. À volta dele, mais abaixo, oito figuras mais pequenas fazem-lhe companhia: cronistas, poetas e até um matemático, Pedro Nunes.
A vida de Camões parece um romance de aventuras. Nasceu por volta de 1524, terá perdido um olho a combater no Norte de África, esteve preso em Lisboa depois de uma rixa de rua e partiu para o Oriente, onde passou anos entre guerras, prisões e dívidas. Diz a lenda que, num naufrágio na foz do rio Mekong, nadou até à margem com um braço fora de água, a segurar o manuscrito de Os Lusíadas.
Voltou pobre, publicou o poema em 1572 e recebeu do rei uma pensão modesta. Morreu a 10 de junho de 1580, no ano em que Portugal perdeu a independência para Filipe II de Espanha, e diz-se que escreveu que morria com a pátria. Em 1880, no tricentenário, ossadas tidas como suas foram levadas para os Jerónimos, mas ninguém pode garantir que sejam mesmo dele.
O dia da morte dele é hoje feriado nacional, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Durante o Estado Novo também se chamava Dia da Raça, e o regime usava Camões como estandarte de um império que queria eterno. Depois do 25 de Abril, o poeta foi devolvido a quem o lê. A estátua, de Víctor Bastos, foi inaugurada em 1867, e desde então é aqui que muita gente marca encontro, sem pensar em quem está lá em cima.
Repara que estás exatamente na fronteira: para trás fica o Chiado elegante das livrarias, para a frente o Bairro Alto boémio dos jornais e das tabernas. Camões, que conheceu as duas vidas, ficou no meio. Agora segue para nordeste, pelas ruas da Trindade, até um largo pequeno com uma fachada coberta de azulejos coloridos. Foi aí que, em 1871, o governo mandou calar uma geração inteira.