Igreja de São Roque e a Capela de São João Batista
Why is it significant?
Não te deixes enganar pela fachada lisa, quase aborrecida: entra na Igreja de São Roque, levanta os olhos para o teto de madeira pintada e depois procura, do lado esquerdo, junto ao altar-mor, a capela que brilha mais do que todas as outras.
Key Facts
| Place | Igreja de São Roque e a Capela de São João Batista |
|---|---|
| Address | Largo Trindade Coelho, 1200 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71360, -9.14340 |
| Part of Walk | A Lisboa de Pessoa: Chiado e Bairro Alto, de livro em livro |
| Generated | Generated |
Não te deixes enganar pela fachada lisa, quase aborrecida: entra na Igreja de São Roque, levanta os olhos para o teto de madeira pintada e depois procura, do lado esquerdo, junto ao altar-mor, a capela que brilha mais do que todas as outras. É a Capela de São João Batista, e há quem diga que é a capela mais cara da Europa.
Foi encomendada pelo rei D. João V e construída não aqui, mas em Roma, nos anos 1740, por arquitetos ao serviço do papa. Depois de abençoada pelo papa Bento XIV, foi desmontada peça a peça, metida em caixotes e trazida de barco para Lisboa. Lápis-lazúli, ametista, mármores de muitas cores, bronze dourado... e os quadros, que parecem pinturas, são afinal mosaicos de pedras minúsculas.
Repara no preço verdadeiro de tanto brilho. O ouro que pagou estas extravagâncias veio sobretudo das minas do Brasil, onde o trabalho duro era feito por africanos escravizados. A beleza desta capela tem uma conta que não aparece na placa.
E a literatura? Esta igreja era a casa dos jesuítas em Lisboa, a ordem do padre António Vieira, o pregador do século XVII que Pessoa, no livro Mensagem, chamou Imperador da língua portuguesa. Os sermões de Vieira, cheios de imagens ousadas e de ironia, ainda hoje se leem nas escolas. Em 1759, o Marquês de Pombal expulsou os jesuítas do reino, e a igreja acabou entregue à Santa Casa da Misericórdia, a quem ainda pertence.
À saída, repara no largo à frente: um vendedor de lotaria em bronze, de cautelas na mão, lembra que a Santa Casa também gere os jogos que tantos lisboetas sonham ganhar. A Misericórdia de Lisboa foi fundada em 1498, pela rainha D. Leonor, para cuidar de doentes, presos e órfãos, e cinco séculos depois continua a fazê-lo. Agora segue para norte pela Rua de São Pedro de Alcântara. Em dois minutos chegas ao jardim que é a melhor varanda sobre a Baixa.