Estátua de Eça de Queirós
Why is it significant?
Não te escandalizes: a mulher de pedra quase nua que vês à frente do monumento é a Verdade, e o senhor de monóculo que se inclina sobre ela é Eça de Queirós. Por cima dela, um véu tão leve que não esconde nada.
Key Facts
| Place | Estátua de Eça de Queirós |
|---|---|
| Address | Largo do Barão de Quintela, 1200 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.70980, -9.14330 |
| Part of Walk | A Lisboa de Pessoa: Chiado e Bairro Alto, de livro em livro |
| Generated | Generated |
Não te escandalizes: a mulher de pedra quase nua que vês à frente do monumento é a Verdade, e o senhor de monóculo que se inclina sobre ela é Eça de Queirós. Por cima dela, um véu tão leve que não esconde nada. E gravada na pedra, a frase que serve de chave a toda a obra dele: sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia.
O monumento é do escultor António Teixeira Lopes e foi inaugurado em 1903, três anos depois da morte do escritor. A frase vem de A Relíquia, um romance de 1887 sobre um sobrinho hipócrita que finge devoção para herdar a fortuna de uma tia beata. Resume o método de Eça: dizer a verdade crua sobre Lisboa, mas com tanta graça que ninguém conseguia largar o livro.
O curioso é que Eça escreveu grande parte da sua Lisboa à distância. Era diplomata: foi cônsul em Havana, em Newcastle, em Bristol e, por fim, em Paris, onde morreu em 1900. Os Maias, o grande romance sobre a decadência de uma família lisboeta, saiu em 1888, o mesmo ano em que Pessoa nasceu ali atrás, no Largo de São Carlos. Duas gerações de literatura separadas por duzentos metros e por um ano de calendário.
E o final de Os Maias é uma lição muito lisboeta. Depois de páginas a jurar que nada na vida vale a pena, que não se deve correr para coisa nenhuma, Carlos da Maia e o amigo Ega veem passar o americano, o carro puxado por cavalos, e desatam a correr atrás dele. Ainda o apanhamos, gritam. Toda a ironia de Eça cabe nessa corrida desajeitada.
Mas Eça também tinha um lado de combate. Em 1871, ao lado de Antero de Quental, subiu a um palco no Chiado para defender o realismo na literatura, e o governo acabou por mandar fechar a sala. Vais passar por esse largo mais adiante. Agora segue para poente, por ruas estreitas que sobem e descem, uns quatrocentos metros até ao Alto de Santa Catarina, onde um gigante de pedra vigia o rio.