Rossio e Teatro Nacional D. Maria II: do palácio da Inquisição ao palco

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Põe-te à frente do teatro, de costas para as colunas, e olha para o chão da praça: as pedras brancas e pretas da calçada desenham ondas, tão fortes que há quem fique tonto a atravessá-las. Chamam a este padrão mar largo.

Key Facts

PlaceRossio e Teatro Nacional D. Maria II: do palácio da Inquisição ao palco
AddressPraça Dom Pedro IV, 1100-201 Lisboa, Portugal
Geo Coordinates38.71480, -9.13980
Part of WalkBaixa Pombalina: a Lisboa que renasceu do terramoto de 1755
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Põe-te à frente do teatro, de costas para as colunas, e olha para o chão da praça: as pedras brancas e pretas da calçada desenham ondas, tão fortes que há quem fique tonto a atravessá-las. Chamam a este padrão mar largo. Lá no meio, uma coluna altíssima com um rei no topo, e duas fontes a refrescar os pombos.

Onde está o teatro ficava o Palácio dos Estaus, construído no século XV para hospedar embaixadores e visitantes ilustres. Mais tarde, tornou-se a sede da Inquisição portuguesa, que funcionou entre 1536 e 1821. Nesta praça, ao longo de muitas gerações, realizaram-se autos de fé: as sentenças eram lidas em público, diante da multidão, e os condenados à morte eram entregues à justiça civil para serem executados. O Rossio já era palco muito antes de haver teatro.

O palácio aguentou mal o terramoto e acabou destruído por um incêndio em 1836. No lugar, ergueu-se o Teatro Nacional D. Maria II, desenhado pelo italiano Fortunato Lodi e inaugurado em 1846. Lá no alto da fachada está Gil Vicente, o pai do teatro português. Ironia de Lisboa: onde antes se julgava a heresia, passou a representar-se tudo aquilo que a Inquisição teria mandado queimar.

O próprio teatro teve o seu desastre: em dezembro de 1964, um incêndio destruiu o interior, e a sala só reabriu em 1978. A calçada em ondas é de meados do século XIX, uma das primeiras grandes obras de calçada portuguesa. E no alto da coluna está D. Pedro IV, rei de Portugal e imperador do Brasil. Há uma lenda teimosa de que a estátua seria, afinal, de Maximiliano do México, comprada em segunda mão... os historiadores dizem que não, mas os lisboetas adoram contá-la.

O nome oficial é Praça D. Pedro IV, mas ninguém lhe chama assim: é o Rossio, e pronto. Repara também, a poente, na estação do Rossio, com a sua fachada neomanuelina de 1890 e as portas em forma de ferradura, de onde saem os comboios para Sintra por um túnel com mais de dois quilómetros e meio. Agora passa ao lado da estação e segue até à praça seguinte, a do obelisco.

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