Praça da Figueira: o hospital que desapareceu
Why is it significant?
Estás numa praça larga, quase sem árvores, rodeada de prédios iguais, com o castelo a espreitar por cima dos telhados, a nascente. No meio, um rei a cavalo, e à volta pombos, malas de viagem com rodinhas e o chiar dos elétricos. Parece só uma praça. Foi um dos maiores hospitais da Europa.
Key Facts
| Place | Praça da Figueira: o hospital que desapareceu |
|---|---|
| Address | Praça da Figueira, 1100 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71370, -9.13780 |
| Part of Walk | Baixa Pombalina: a Lisboa que renasceu do terramoto de 1755 |
| Generated | Generated |
Estás numa praça larga, quase sem árvores, rodeada de prédios iguais, com o castelo a espreitar por cima dos telhados, a nascente. No meio, um rei a cavalo, e à volta pombos, malas de viagem com rodinhas e o chiar dos elétricos. Parece só uma praça. Foi um dos maiores hospitais da Europa.
Aqui ficava o Hospital Real de Todos os Santos, mandado fundar por D. João II em 1492 e aberto no início do século XVI. Era um edifício enorme, com a igreja virada para o Rossio, enfermarias, pátios e boticas. Tratava pobres, peregrinos, marinheiros que chegavam doentes das viagens, e foi também uma escola de cirurgiões. Para a época, era uma máquina de saúde pública impressionante.
O hospital foi atingido por um grande incêndio em 1750, e o terramoto de 1755 deu-lhe o golpe final. Na reconstrução, não voltou a ser erguido: os doentes foram levados para um antigo colégio dos jesuítas, e no seu lugar nasceu esta praça. Quando, há pouco mais de vinte anos, se escavou o chão para fazer o parque de estacionamento subterrâneo, apareceram as fundações do hospital... e muitas sepulturas.
Durante muito tempo, a Praça da Figueira foi o grande mercado de Lisboa. Em 1885 cobriu-se com um mercado de ferro e vidro, cheio de bancas de fruta, de peixe e de flores, e o cheiro chegava ao Rossio. Esse mercado foi demolido em 1949, e os lisboetas mais velhos ainda falam dele com saudade. A estátua de D. João I, o rei de Aljubarrota, só chegou cá em 1971.
Repara no canto da praça: a Confeitaria Nacional, aberta desde 1829, onde gerações de lisboetas compraram o bolo-rei do Natal. Diz-se que foi das primeiras casas a fazê-lo em Lisboa, com uma receita trazida de Paris, e há quem jure que continua a ser o melhor. Agora sai pelo canto noroeste da praça, a caminho do Largo de São Domingos, onde há uma igreja com as paredes queimadas.