Elevador de Santa Justa: a torre de ferro da Baixa
Why is it significant?
Inclina a cabeça para trás: uma torre de ferro cinzento, rendilhada como uma catedral gótica, encaixada entre prédios pombalinos, com uma ponte lá no alto que atravessa por cima dos telhados. É talvez a coisa mais improvável da Baixa... e uma das mais lisboetas.
Key Facts
| Place | Elevador de Santa Justa: a torre de ferro da Baixa |
|---|---|
| Address | Rua do Ouro, 1150-060 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71210, -9.13940 |
| Part of Walk | Baixa Pombalina: a Lisboa que renasceu do terramoto de 1755 |
| Generated | Generated |
Inclina a cabeça para trás: uma torre de ferro cinzento, rendilhada como uma catedral gótica, encaixada entre prédios pombalinos, com uma ponte lá no alto que atravessa por cima dos telhados. É talvez a coisa mais improvável da Baixa... e uma das mais lisboetas.
Foi inaugurado em 1902 e desenhado por Raoul Mesnier du Ponsard, um engenheiro nascido no Porto, filho de franceses, que se especializou em ascensores e funiculares. Muita gente jura que é obra de Gustave Eiffel, ou de um discípulo dele. Não é. O gosto pelo ferro é da época, mas o autor é Mesnier, que deixou a sua marca noutros ascensores da cidade.
Ao princípio, o elevador funcionava a vapor, e só uns anos depois passou para a eletricidade. As duas cabines, forradas a madeira e com espelhos, sobem dentro de uma torre com uns quarenta e cinco metros; lá em cima, uma escada em caracol leva a um terraço, e a ponte de ferro deixa-te no Largo do Carmo, ao lado das ruínas do convento. Em vez de subires a colina a pé, atravessas a cidade por cima dos telhados.
Há uma razão para tudo isto existir. A Baixa pombalina ficou no fundo de um vale, entre duas colinas íngremes, a do Castelo e a do Carmo e do Chiado. Para quem vivia, trabalhava ou fazia compras lá em cima, cada subida era um castigo, sobretudo de saias compridas ou com a cesta das compras. No fim do século XIX, Lisboa respondeu com ascensores e funiculares, uma pequena revolução que mudou a vida dos bairros altos e que ainda hoje define a cidade.
Hoje, quem está na fila são sobretudo visitantes; os lisboetas sobem a pé, ou pelas escadas rolantes do metro, e olham para o elevador como se olha para um tio excêntrico de quem se gosta muito. Se não quiseres esperar, sobe pela Rua do Carmo e pela Calçada do Sacramento. Seja qual for o caminho, o destino é o mesmo: o Largo do Carmo, umas boas dezenas de metros acima da tua cabeça.