Beco das Farinhas e Largo dos Trigueiros
Why is it significant?
Entra no beco e deixa que te olhem: dezenas de rostos de velhos moradores, fotografias a preto e branco impressas sobre madeira e penduradas nas paredes, mesmo ao lado das portas das casas onde essas pessoas viveram. Alguns sorriem, outros desconfiam, todos parecem conhecer-te.
Key Facts
| Place | Beco das Farinhas e Largo dos Trigueiros |
|---|---|
| Address | Largo dos Trigueiros, 1100 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71400, -9.13580 |
| Part of Walk | Mouraria, berço do fado: de Severa a Amália em Lisboa |
| Generated | Generated |
Entra no beco e deixa que te olhem: dezenas de rostos de velhos moradores, fotografias a preto e branco impressas sobre madeira e penduradas nas paredes, mesmo ao lado das portas das casas onde essas pessoas viveram. Alguns sorriem, outros desconfiam, todos parecem conhecer-te.
O projeto chama-se O Tributo e começou em 2009, pela mão de Camilla Watson, uma fotógrafa inglesa que veio viver para a Mouraria e tem o estúdio aqui ao lado, no Largo dos Trigueiros. Foram os próprios moradores, uns vinte e cinco, que escolheram a fotografia que queriam ver na parede. As imagens foram impressas com técnicas artesanais, sobre madeira, sobre pedra e por vezes diretamente na parede. Muitos dos retratados já morreram, e os retratos continuam aqui, a fazer parte da rua.
Estas caras são o público verdadeiro do fado. Antes das casas de fado com toalha branca e jantar, havia o fado vadio: cantava-se nas tascas, nos pátios e nas festas de bairro, por quem tivesse voz e coragem, sem pagar e sem cobrar. Um guitarrista, um violista, um copo de vinho, e alguém que se levantava para cantar a sua vida. Ainda hoje há noites assim na Mouraria, em sítios que não aparecem em guia nenhum.
E em junho, este bairro explode. Nos Santos Populares, os becos enchem-se de arraiais, sardinhas assadas, manjericos, bandeirinhas de papel e colunas aos berros. A Mouraria tem a sua própria marcha, e o bairro inteiro torce por ela como se fosse futebol. Nessas noites, entre o fumo das sardinhas, há sempre alguém que pede silêncio para cantar um fado.
Repara também nas casas recuperadas e nas chaves de alojamento local à porta: a Mouraria está a mudar depressa, e estes retratos são cada vez mais memória do que vizinhança. Agora sobe as escadinhas para sul; a menos de cento e cinquenta metros, uma igreja que resistiu ao terramoto espera por ti.