Chiado: o incêndio de 1988 e a reconstrução de Siza Vieira

Why is it significant?

Para a meio da Rua do Carmo e olha à tua volta: fachadas pombalinas impecáveis, montras, gente a subir e a descer com sacos de compras. Tudo parece ter estado sempre assim. Mas boa parte do que vês nesta rua ardeu numa só madrugada, há menos de quarenta anos.

Key Facts

PlaceChiado: o incêndio de 1988 e a reconstrução de Siza Vieira
AddressRua do Carmo, 1200 Lisboa, Portugal
Geo Coordinates38.71100, -9.13940
Part of WalkBaixa Pombalina: a Lisboa que renasceu do terramoto de 1755
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Para a meio da Rua do Carmo e olha à tua volta: fachadas pombalinas impecáveis, montras, gente a subir e a descer com sacos de compras. Tudo parece ter estado sempre assim. Mas boa parte do que vês nesta rua ardeu numa só madrugada, há menos de quarenta anos.

Na madrugada de 25 de agosto de 1988, um fogo começou nos Grandes Armazéns do Chiado e espalhou-se aos prédios vizinhos, entre eles os famosos Armazéns Grandella. Os bombeiros tiveram dificuldade em chegar com os carros a uma rua estreita, fechada ao trânsito e cheia de obstáculos. Arderam perto de duas dezenas de edifícios, morreram duas pessoas, e muita gente ficou sem casa ou sem trabalho. Lisboa viu o seu bairro mais elegante transformado num esqueleto fumegante, em direto na televisão.

A reconstrução foi entregue a Álvaro Siza Vieira, o arquiteto do Porto que poucos anos depois ganharia o Prémio Pritzker. A decisão dele surpreendeu muita gente: em vez de um gesto moderno espetacular, Siza reconstruiu as fachadas pombalinas, respeitou a escala e o ritmo das janelas, e guardou a modernidade para dentro e para trás. Foi um trabalho longo e paciente, que se arrastou por muitos anos.

Abriu passagens novas entre ruas, pátios interiores e escadas que ligam o Chiado aos terraços do Carmo, por trás das ruínas do convento. A estação de metro Baixa-Chiado, também dele, desce fundo pela colina e liga os dois mundos, o da Baixa e o do Chiado, que durante séculos estiveram separados por uma subida. É uma reconstrução que quase não se nota, e esse era precisamente o objetivo.

E repara na continuidade com tudo o que viste hoje. Em 1755, Lisboa ardeu e reconstruiu-se com fachadas iguais e uma gaiola de madeira escondida lá dentro; em 1988, ardeu outra vez e voltou a reconstruir-se com fachadas pombalinas e uma estrutura nova escondida por trás. Duas catástrofes, a mesma lição: aqui, a memória fica na cara dos prédios. O passeio termina aqui. A Rua Garrett sobe à tua frente, cheia de cafés e livrarias antigas, e o elétrico passa lá em cima... escolhe o teu.

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