Arco da Rua Augusta: a porta da cidade nova
Why is it significant?
Passa por baixo do arco e para do outro lado, de costas para a praça. À tua frente estende-se a Rua Augusta, a direito, a perder de vista, cortada a régua por ruas iguais. Depois do labirinto da Alfama, isto parece outro país. E era exatamente essa a ideia.
Key Facts
| Place | Arco da Rua Augusta: a porta da cidade nova |
|---|---|
| Address | Rua Augusta 2, 1100-053 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.70840, -9.13680 |
| Part of Walk | Baixa Pombalina: a Lisboa que renasceu do terramoto de 1755 |
| Generated | Generated |
Passa por baixo do arco e para do outro lado, de costas para a praça. À tua frente estende-se a Rua Augusta, a direito, a perder de vista, cortada a régua por ruas iguais. Depois do labirinto da Alfama, isto parece outro país. E era exatamente essa a ideia.
Logo a seguir ao terramoto, o velho engenheiro-mor do reino, Manuel da Maia, com quase oitenta anos, apresentou várias hipóteses: reconstruir tudo como estava, alargar as ruas antigas, ou até abandonar a Baixa e fazer uma cidade nova para os lados de Belém. Pombal escolheu a solução mais radical: arrasar os escombros e desenhar do zero. Os arquitetos Eugénio dos Santos e Carlos Mardel traçaram uma grelha de ruas retas, quarteirões iguais e fachadas repetidas, sem um único palácio a sobressair.
E deram às ruas os nomes dos ofícios que lá deviam ficar: a Rua do Ouro para os ourives do ouro, que no mapa oficial se chama Rua Áurea, a Rua da Prata para os da prata, a Rua dos Correeiros, a dos Sapateiros, a dos Fanqueiros, que vendiam tecidos. Uma cidade arrumada como as gavetas de uma loja. A Rua Augusta, a do meio, ganhou o nome em honra do rei, o augusto D. José.
O arco estava previsto desde o início, mas só ficou pronto em 1873, mais de um século depois do terramoto. Lá em cima, a Glória coroa o Valor e o Génio; um pouco abaixo estão Viriato, Nuno Álvares Pereira, Vasco da Gama e o próprio Marquês de Pombal; e deitados nos cantos, dois velhos barbudos que representam o Tejo e o Douro. A inscrição em latim diz, mais ou menos, que as virtudes dos antepassados servem de lição a todos.
O que pouca gente sabe é que se pode subir lá acima, e que de lá se percebe melhor do que em qualquer mapa a geometria da Baixa: os telhados todos à mesma altura, as chaminés alinhadas, as paredes corta-fogo a espetar acima das telhas para travar os incêndios. Agora volta à praça e sai pelo canto nordeste, pela Rua da Alfândega, até uma igreja que salvou do desastre um portal inteiro.