Museu do Fado

Why is it significant?

Para à porta do edifício rosado na esquina do largo, junto ao rio: é o Museu do Fado, aberto em 1998 num antigo edifício ligado ao abastecimento de água da cidade.

Key Facts

PlaceMuseu do Fado
AddressLargo do Chafariz de Dentro 1, 1100 Lisboa, Portugal
Geo Coordinates38.71100, -9.12770
Part of WalkMouraria, berço do fado: de Severa a Amália em Lisboa
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Para à porta do edifício rosado na esquina do largo, junto ao rio: é o Museu do Fado, aberto em 1998 num antigo edifício ligado ao abastecimento de água da cidade. Lá dentro há uma parede inteira de rostos de fadistas, do chão ao teto, e dezenas de guitarras... uma espécie de árvore genealógica da canção de Lisboa.

Repara, se entrares, nas guitarras portuguesas. Têm o corpo em forma de pera e doze cordas de metal, agrupadas em pares, e descendem da cítara que se tocava na Europa do século XVIII, a que em Portugal se chamou guitarra inglesa. No fado, é ela que chora; a viola, ao lado, segura o ritmo. O som que ouviste em pensamento ao longo de toda esta caminhada sai destas cordas, feitas ainda hoje por guitarreiros que aprenderam o ofício com os pais.

A 27 de novembro de 2011, a UNESCO inscreveu o fado na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade. Pensa no caminho que isto representa: uma música que nos anos 1820 se cantava em tabernas da Mouraria, entre rufias e mulheres da vida, tornou-se património do mundo inteiro. A Severa, o Fernando Maurício, a Amália, e milhares de vozes anónimas do fado vadio... todos cabem nessa linha.

E há uma palavra que acompanha o fado sem a qual nada disto se percebe: saudade. Não é bem tristeza nem bem nostalgia, é a presença de uma ausência, a falta de alguém ou de um tempo que ainda nos faz companhia. Os lisboetas dizem que não se explica, canta-se. E têm razão.

Aqui termina a caminhada. Começaste num largo de má fama, passaste pela casa da Severa, pelos rostos da Mouraria, pela calçada de Amália e pelo seu túmulo, e chegaste à casa de todos eles. Agora resta-te o mais importante: esta noite, entra numa tasca de Alfama ou da Mouraria, pede silêncio com os olhos... e deixa o fado fazer o resto.

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