Largo do Chafariz de Dentro: água, muralhas e fado
Why is it significant?
Senta-te um minuto na beira do chafariz e olha à volta: um largo aberto, depois do labirinto, com esplanadas, árvores e o rio a espreitar ao fundo. Depois de tanta escadinha, parece uma praça de outra cidade. O nome tem uma explicação simples e muito lisboeta.
Key Facts
| Place | Largo do Chafariz de Dentro: água, muralhas e fado |
|---|---|
| Address | Largo do Chafariz de Dentro, 1100-139 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71120, -9.12760 |
| Part of Walk | Alfama e Castelo de São Jorge: a Lisboa mais antiga, do cerco de 1147 aos becos |
| Generated | Generated |
Senta-te um minuto na beira do chafariz e olha à volta: um largo aberto, depois do labirinto, com esplanadas, árvores e o rio a espreitar ao fundo. Depois de tanta escadinha, parece uma praça de outra cidade.
O nome tem uma explicação simples e muito lisboeta. Em 1373, as tropas de Castela entraram em Lisboa e queimaram boa parte do que estava fora da velha cerca moura. O rei D. Fernando respondeu com uma muralha nova, enorme, erguida em cerca de dois anos, que abraçava a cidade inteira até ao rio. Este chafariz ficou do lado de dentro dessa muralha, e passou a ser o Chafariz de Dentro.
A água daqui vinha das nascentes da própria Alfama, as mesmas que deram nome ao bairro. Durante séculos, quem tinha água em casa era rico; os outros iam buscá-la ou pagavam aos aguadeiros, muitos deles galegos, que subiam as escadinhas com barris às costas. Era um ofício duro e mal pago, com os seus lugares marcados em cada chafariz, e Lisboa viveu dele até ao século XIX, quando a água canalizada começou a chegar às casas.
O edifício ali ao lado, que foi uma estação de bombagem de água, é hoje dedicado ao fado. Não é por acaso: a Alfama e a Mouraria são os bairros onde o fado se fez canção de taberna, de marinheiros, de varinas, de gente que vivia com pouco. Se à noite passares por estas ruas, vais ouvir uma guitarra portuguesa a sair de uma porta qualquer... e uma voz a cantar a saudade como quem dá uma notícia.
Este largo era também a porta da Alfama para o rio e para o trabalho: os cais, os armazéns, as fragatas carregadas, as varinas de canastra à cabeça. Hoje, a poucos passos, atracam navios de cruzeiro do tamanho de prédios, e o bairro tenta não se perder entre quem chega e quem vai saindo. Para o fim do passeio, segue para nascente, ao longo da linha da antiga muralha, até ao grande edifício do Museu Militar, mesmo em frente à estação de Santa Apolónia.