Jardim do Passeio Alegre: Palmeiras, Obeliscos e Elétrico
Why is it significant?
Entra no jardim por entre as palmeiras e abranda o passo, que aqui ninguém tem pressa. Canteiros desenhados a régua, bancos virados para o rio, velhotes a jogar às cartas, miúdos de bicicleta... Estás no Jardim do Passeio Alegre, e o nome diz exatamente o que se vinha cá fazer.
Key Facts
| Place | Jardim do Passeio Alegre: Palmeiras, Obeliscos e Elétrico |
|---|---|
| Address | Rua do Passeio Alegre, Foz do Douro, 4150 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.14830, -8.67100 |
| Part of Walk | Onde o Douro Encontra o Mar: Foz do Douro e a Marginal do Porto até ao Castelo do Queijo |
| Generated | Generated |
Entra no jardim por entre as palmeiras e abranda o passo, que aqui ninguém tem pressa. Canteiros desenhados a régua, bancos virados para o rio, velhotes a jogar às cartas, miúdos de bicicleta... Estás no Jardim do Passeio Alegre, e o nome diz exatamente o que se vinha cá fazer.
O jardim ganhou esta forma na segunda metade do século XIX, quando a Foz se tornou moda. As famílias do Porto vinham passar o verão a banhos, alugavam casas, passeavam ao fim da tarde para ver e ser vistas. Foi precisamente para trazer essa gente até ao mar que se lançaram, ainda no século XIX, as primeiras linhas de carros americanos, puxados a cavalos, ao longo do rio.
Repara no chafariz ao centro e, nas pontas do jardim, nos dois obeliscos de granito. Segundo se conta, vieram da Quinta da Prelada e são atribuídos a Nicolau Nasoni, o arquiteto italiano da Torre dos Clérigos. Pedra barroca, trazida de longe, para enfeitar um passeio à beira-mar... é muito à maneira do Porto, uma cidade que nunca deitou fora um bom bocado de granito. E as palmeiras altas, plantadas para dar ao jardim um ar de estância elegante, aguentam há gerações a nortada e o sal.
Mas a joia mais inesperada do jardim são... os urinóis públicos. A sério. São pequenos pavilhões Arte Nova, do início do século XX, com ferro trabalhado e cerâmica, tão bonitos que há quem os fotografe como se fossem capelas. Poucas cidades tiveram o cuidado de fazer arte de uma coisa tão prosaica, e menos ainda a conservaram.
Ouve o sino: é o elétrico da linha 1, que chega do Infante depois de seguir o rio quase de ponta a ponta e para aqui, no fim da linha. O condutor muda de cabine, os passageiros saem a cheirar o ar salgado, e o elétrico, de madeira envernizada, descansa uns minutos à sombra antes de voltar para trás. Segue para poente, pelo lado do rio, até às muralhas grossas que guardam a entrada da barra.