Forte de São João Baptista da Foz
Why is it significant?
Para diante destas muralhas baixas e grossas, de granito escuro, com os ângulos em bico virados para o mar. Parecem ter crescido das rochas. É o Forte de São João Baptista da Foz, e durante séculos foi a fechadura da porta do Douro. A história começa com uma igreja, não com canhões.
Key Facts
| Place | Forte de São João Baptista da Foz |
|---|---|
| Address | Avenida de Dom Carlos I, Foz do Douro, 4150 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.14890, -8.67400 |
| Part of Walk | Onde o Douro Encontra o Mar: Foz do Douro e a Marginal do Porto até ao Castelo do Queijo |
| Generated | Generated |
Para diante destas muralhas baixas e grossas, de granito escuro, com os ângulos em bico virados para o mar. Parecem ter crescido das rochas. É o Forte de São João Baptista da Foz, e durante séculos foi a fechadura da porta do Douro.
A história começa com uma igreja, não com canhões. No século XVI, D. Miguel da Silva, bispo de Viseu, homem culto que tinha vivido anos em Roma como embaixador, mandou erguer aqui uma igreja ao gosto do Renascimento italiano, uma das primeiras do país nesse estilo. Imagina o contraste: colunas clássicas, proporções romanas, uma elegância que mal se conhecia em Portugal... no meio de uma aldeia de pescadores, de barcos virados na areia e de redes a secar.
A beleza durou pouco. A barra do Douro era a entrada de uma das cidades mais ricas do reino, e corsários e piratas rondavam a costa. No reinado de D. Sebastião, a igreja foi literalmente engolida por uma fortaleza: levantaram-se muralhas à volta dela, e o templo ficou lá dentro, preso entre baluartes. Mais tarde, depois de 1640, nas guerras da Restauração contra Espanha, o forte foi reforçado, e cada geração acrescentou pedra à pedra da anterior. É por isso que, vista de fora, a fortaleza parece uma cebola de granito, camada sobre camada.
O seu momento mais dramático chegou em 1832 e 1833, durante o Cerco do Porto. Os liberais estavam encurralados na cidade e as tropas absolutistas apertavam o cerco por terra. Quem controlasse a barra controlava os abastecimentos que chegavam por mar, e por isso aqui se trocaram tiros de canhão durante meses.
Do lado de fora, repara nos penedos onde as ondas rebentam: há quem venha pescar à linha, com a paciência de quem tem o dia todo. Ao lado, os corvos-marinhos secam as asas abertas ao vento, imóveis como bandeiras pretas. Atravessa a avenida com cuidado e segue o molhe comprido que entra pelo mar. Lá no fim, sozinho no meio da espuma, espera-te um pequeno farol.