Cantareira: O Cais dos Pescadores da Foz

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Encosta-te ao muro do cais e olha para a água: aqui o Douro já quase não é rio, já cheira a mar. Barcos de pesca pintados de azul, vermelho e amarelo balançam presos às argolas, há redes a secar no chão e gaivotas pousadas à espera do que sobrar.

Key Facts

PlaceCantareira: O Cais dos Pescadores da Foz
AddressRua da Cantareira, Foz do Douro, 4150 Porto, Portugal
Geo Coordinates41.14810, -8.66550
Part of WalkOnde o Douro Encontra o Mar: Foz do Douro e a Marginal do Porto até ao Castelo do Queijo
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Encosta-te ao muro do cais e olha para a água: aqui o Douro já quase não é rio, já cheira a mar. Barcos de pesca pintados de azul, vermelho e amarelo balançam presos às argolas, há redes a secar no chão e gaivotas pousadas à espera do que sobrar. Estás na Cantareira, o velho cais dos pescadores da Foz. Ao fundo, para poente, uma linha branca de rebentação marca o sítio onde a água doce se rende.

A Foz do Douro nem sempre foi Porto. Durante séculos foi uma povoação à parte, de pescadores, marinheiros e pilotos da barra, longe das muralhas da cidade. Quem vivia aqui sabia ler o rio e o mar como ninguém: o vento, a cor da água, o sítio onde a areia tinha mudado durante a noite. Os pilotos subiam a bordo dos navios que chegavam e guiavam-nos pela entrada mais traiçoeira da costa, com muito ofício e muito risco. Diz-se que ainda há velhos da Foz que, quando sobem à Baixa, dizem que vão ao Porto, como quem vai a outra terra.

Foi nesta Foz que nasceu, em 1867, o escritor Raul Brandão. Muitos anos depois escreveu Os Pescadores, um livro sobre a gente do mar da costa portuguesa, cheio de luz, de sal e de pobreza. Lê-lo aqui, com o cheiro a peixe e a maresia, é outra coisa... percebes de onde vinham aquelas frases.

Agora olha para a outra margem. Aquela língua de areia do lado de Gaia é o Cabedelo, e a baía abrigada atrás dela, a de São Paio, é hoje uma reserva natural. No inverno e nas épocas de migração juntam-se ali garças, corvos-marinhos e pequenas aves de patas finas que correm atrás de cada onda. Uma reserva natural às portas de uma área metropolitana com mais de um milhão de pessoas... não é coisa que se veja em qualquer cidade.

Repara também na corrente: quando a maré está a encher, o mar empurra o rio para trás, e as duas águas lutam mesmo à tua frente. Segue pela marginal em direção ao mar, sempre ao lado dos carris do elétrico. O jardim das palmeiras, ali adiante, é onde a linha 1 termina a sua viagem ao longo do rio.

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