Torre e Igreja dos Clérigos: o Granito de Nasoni
Why is it significant?
Para ao pé da torre e inclina a cabeça para trás até onde o pescoço deixar. Cerca de setenta e cinco metros de granito barroco, andares sobrepostos como um bolo de noiva, sinos, relógio e, lá no topo, a cruz.
Key Facts
| Place | Torre e Igreja dos Clérigos: o Granito de Nasoni |
|---|---|
| Address | Rua de São Filipe de Nery, 4050-546 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.14570, -8.61460 |
| Part of Walk | Do Românico às Galerias: Arte no Porto entre Cedofeita, os Clérigos e a Rua de Miguel Bombarda |
| Generated | Generated |
Para ao pé da torre e inclina a cabeça para trás até onde o pescoço deixar. Cerca de setenta e cinco metros de granito barroco, andares sobrepostos como um bolo de noiva, sinos, relógio e, lá no topo, a cruz. Durante muito tempo foi a construção mais alta do país, e diz-se que os barcos que entravam no Douro a usavam como farol de pedra.
O autor é um italiano, Nicolau Nasoni, nascido na Toscana, que chegou ao Porto em 1725 para pintar... e nunca mais se foi embora. Veio como pintor decorativo, trabalhou na Sé, e acabou por se tornar o arquiteto do barroco portuense. A igreja começou a ser construída em 1732, e a torre ficou pronta em 1763. Tem mais de duzentos degraus, contados por quem sobe com as pernas a tremer.
Há uma história menos conhecida sobre este terreno. Conta-se que este alto, então à saída da cidade, servia para enterrar condenados e pobres sem família, um lugar que ninguém queria. A Irmandade dos Clérigos Pobres ficou com ele e ergueu ali o edifício mais orgulhoso do Porto. E Nasoni, que morreu em 1773, pediu para ser sepultado na igreja que desenhou. Está lá, em lugar incerto, debaixo do chão que projetou.
Repara na planta da igreja: é oval, uma forma rara em Portugal, e a fachada está cheia de movimento, conchas, volutas e grinaldas talhadas em granito, uma pedra que torna cada curva uma pequena proeza. Nasoni tratou o granito como se fosse mármore italiano. É por isso que este barroco é tão diferente do de Lisboa: mais escuro, mais pesado, mais dramático, e ao mesmo tempo surpreendentemente leve no desenho.
Agora desce pelo Campo dos Mártires da Pátria até ao grande edifício quadrado de granito à tua frente, de janelas gradeadas. Parece um palácio, mas durante quase dois séculos foi uma prisão.