Centro Português de Fotografia: a Cela de Camilo
Why is it significant?
Para diante da fachada e conta as janelas: grandes, regulares, todas com grades de ferro. Este edifício enorme, quase sem enfeites, era a Cadeia e Tribunal da Relação do Porto, e hoje é o Centro Português de Fotografia. As celas onde se sofria tornaram-se salas onde se olha.
Key Facts
| Place | Centro Português de Fotografia: a Cela de Camilo |
|---|---|
| Address | Largo Amor de Perdição, 4050-008 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.14470, -8.61590 |
| Part of Walk | Do Românico às Galerias: Arte no Porto entre Cedofeita, os Clérigos e a Rua de Miguel Bombarda |
| Generated | Generated |
Para diante da fachada e conta as janelas: grandes, regulares, todas com grades de ferro. Este edifício enorme, quase sem enfeites, era a Cadeia e Tribunal da Relação do Porto, e hoje é o Centro Português de Fotografia. As celas onde se sofria tornaram-se salas onde se olha. Poucos edifícios do Porto mudaram tanto de alma sem mudar de pedra.
Foi construída na segunda metade do século XVIII e funcionou como prisão até 1974. Em 1860 entrou aqui um preso famoso: o escritor Camilo Castelo Branco, acusado de adultério com Ana Plácido, uma mulher casada com um rico comerciante. Ela também foi presa. Ficaram ambos no mesmo edifício, em alas diferentes, durante cerca de um ano, até serem absolvidos em 1861.
E foi aqui dentro, numa cela, que Camilo escreveu Amor de Perdição, conta-se que em poucas semanas. É a história de Simão Botelho, um rapaz que ama a filha do inimigo do pai, acaba preso nesta mesma cadeia e é condenado ao degredo na Índia. Simão era tio do próprio Camilo... o escritor estava a escrever a tragédia da família entre as paredes onde ela tinha acontecido. É por isso que o largo diante de ti se chama Largo Amor de Perdição.
Na cadeia, Camilo conheceu também o mais famoso salteador do Norte, o Zé do Telhado, que roubava aos ricos e, diz a lenda, dava aos pobres. Camilo escreveu sobre ele nas suas Memórias do Cárcere. Imagina as conversas: um romancista e um bandido, de cela para cela, a trocar histórias que nenhum dos dois podia contar lá fora.
Hoje, lá dentro, há exposições de fotografia e uma coleção de máquinas fotográficas antigas, e as grades continuam nas janelas, a enquadrar a cidade como se fossem molduras. Sai e atravessa para o jardim cheio de árvores ao lado, a Cordoaria. Lá dentro há treze homens a rir... vais perceber porquê.