Rua das Flores: fidalgos, ourives e brasões
Why is it significant?
Desce devagar e olha para as fachadas, não para as montras. Varandas de ferro forjado, azulejos de várias épocas, portais de granito e, aqui e ali, um brasão de pedra por cima da porta, com elmos, leões e castelos. Esta não é uma rua qualquer: foi a rua elegante do Porto do Renascimento.
Key Facts
| Place | Rua das Flores: fidalgos, ourives e brasões |
|---|---|
| Address | Rua das Flores, 4050 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.14450, -8.61280 |
| Part of Walk | O Burgo da Invicta: Sé, Ribeira e o Porto Medieval |
| Generated | Generated |
Desce devagar e olha para as fachadas, não para as montras. Varandas de ferro forjado, azulejos de várias épocas, portais de granito e, aqui e ali, um brasão de pedra por cima da porta, com elmos, leões e castelos. Esta não é uma rua qualquer: foi a rua elegante do Porto do Renascimento.
A Rua das Flores foi aberta em 1521, por ordem do rei D. Manuel I, atravessando terrenos do bispo que eram hortas e quintais. Daí o nome, que no início era mais comprido: Rua de Santa Catarina das Flores. O rei queria uma rua direita e larga para a época, que ligasse a parte alta da cidade à zona de São Domingos e ao comércio do rio. Uma rua nova, desenhada a direito, num burgo feito de becos e de calçadas tortas.
Os fidalgos e os mercadores ricos vieram logo atrás. Construíram aqui casas com brasão na fachada, para que ninguém tivesse dúvidas sobre quem lá morava. E depois chegaram os ourives: durante séculos esta foi a rua do ouro e da prata do Porto. A filigrana, o fio de ouro torcido e soldado em rendas finíssimas, tem raízes fundas no Norte, e muitas destas lojas viveram dela, de corações de Viana e de brincos à rainha.
No século XX, a rua envelheceu mal: lojas fechadas, casas vazias, carros a passar entre paredes estreitas. A reabilitação dos últimos anos devolveu-a às pessoas, com a rua fechada ao trânsito e as fachadas recuperadas. Há quem ache que ficou turística demais, e há quem se lembre bem de como ela estava antes. O portuense, como vais perceber, discute sempre... mas no fim gosta.
Repara, já perto do fundo, numa fachada barroca de granito encostada às casas: é a igreja da Misericórdia. Não entres ainda. Continua até ao fim da rua, onde ela se abre num largo inclinado... é lá que te espera um rio que ninguém vê.