Sé do Porto e Paço Episcopal: o castelo dos bispos

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Chegaste ao ponto mais alto do burgo. À tua frente, a Sé do Porto: duas torres quadradas, ameias no topo, uma rosácea redonda ao centro... uma catedral com cara de fortaleza. E não é por acaso, porque durante séculos foi também daqui que se mandou na cidade. Em 1120, D.

Key Facts

PlaceSé do Porto e Paço Episcopal: o castelo dos bispos
AddressTerreiro da Sé, 4050-573 Porto, Portugal
Geo Coordinates41.14270, -8.61130
Part of WalkO Burgo da Invicta: Sé, Ribeira e o Porto Medieval
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Chegaste ao ponto mais alto do burgo. À tua frente, a Sé do Porto: duas torres quadradas, ameias no topo, uma rosácea redonda ao centro... uma catedral com cara de fortaleza. E não é por acaso, porque durante séculos foi também daqui que se mandou na cidade.

Em 1120, D. Teresa, mãe do primeiro rei de Portugal, doou o burgo do Porto ao bispo D. Hugo. Durante quase três séculos, quem mandava era o bispo: cobrava, julgava, nomeava. Os mercadores lá de baixo passaram gerações em guerra surda com ele, até que, no início do século XV, D. João I comprou ao bispo o senhorio da cidade. A Sé que vês começou românica, no século XII, ganhou um claustro gótico e depois camadas de barroco.

Foi aqui dentro que, em 1387, D. João I casou com D. Filipa de Lencastre, a princesa inglesa que já ouviste nomear junto ao rio. Desse casamento nasceram os filhos a que Camões chamou a ínclita geração, incluindo o infante D. Henrique. E a aliança com Inglaterra, que se diz a mais antiga do mundo ainda em vigor, tem neste altar um dos seus momentos mais bonitos.

Agora olha à tua volta. Este terreiro largo e desafogado é recente: até meados do século XX, a Sé estava encaixada num emaranhado de casas, que foram demolidas para lhe dar palco. O pelourinho torcido no meio do terreiro, que parece medieval, é dessa época. E o palácio enorme ao lado é o Paço Episcopal, a casa dos bispos, reconstruído no século XVIII com projeto atribuído a Nicolau Nasoni, o mesmo italiano da galilé barroca no flanco da Sé. Durante umas décadas do século XX, o paço chegou a servir de Câmara Municipal.

Vai até ao parapeito e espreita: os telhados da Ribeira, o Douro, as caves de Gaia do outro lado. É uma das melhores varandas da cidade. Depois atravessa a avenida que leva ao tabuleiro de cima da Ponte Luís I e segue para nascente, uns duzentos metros, até um largo pequeno com uma igreja discreta... que esconde ouro atrás do granito.

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