Igreja de Santa Clara: granito por fora, ouro por dentro

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Por fora, quase não se dá por ela: um largo pequeno, o Largo Primeiro de Dezembro, uma fachada sóbria, um portal de pedra trabalhada. Entra, se a porta estiver aberta... e prepara os olhos, porque lá dentro é outra conversa.

Key Facts

PlaceIgreja de Santa Clara: granito por fora, ouro por dentro
AddressLargo 1.º de Dezembro, 4000 Porto, Portugal
Geo Coordinates41.14250, -8.60920
Part of WalkO Burgo da Invicta: Sé, Ribeira e o Porto Medieval
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Por fora, quase não se dá por ela: um largo pequeno, o Largo Primeiro de Dezembro, uma fachada sóbria, um portal de pedra trabalhada. Entra, se a porta estiver aberta... e prepara os olhos, porque lá dentro é outra conversa.

Paredes, teto, arcos, altares: tudo coberto de talha dourada, madeira esculpida e revestida a folha de ouro, sem um palmo vazio. Anjos, folhas de acanto, conchas, colunas torcidas que parecem mexer-se à luz das velas. É um dos interiores barrocos mais deslumbrantes do país, feito sobretudo na primeira metade do século XVIII, quando o ouro do Brasil chegava a Portugal em quantidades que hoje parecem inventadas.

O convento das clarissas foi fundado em 1416, no reinado de D. João I, o rei do casamento na Sé. As freiras viviam em clausura, encostadas à muralha da cidade, e o convento foi crescendo com doações de famílias ricas que pagavam altares, missas e sepulturas. Repara no portal da igreja: tem traços do gosto manuelino e renascentista, de quando o templo ainda era mais pedra do que ouro.

Há aqui um paradoxo muito do Norte: por fora, o granito, duro, cinzento, sem vaidade nenhuma; por dentro, um deslumbramento quase oriental. É o feitio da cidade. O tripeiro não gosta de se mostrar na rua, mas abre-te a porta de casa e põe-te tudo na mesa. Depois da extinção das ordens religiosas, em 1834, os conventos femininos foram-se esvaziando à medida que morriam as últimas freiras, e este não foi exceção.

Sai e repara no paredão alto de granito, com ameias, colado ao convento do lado do rio. É outro troço da Muralha Fernandina, irmão daquele que viste no Caminho Novo. Segue-o pelas Escadas dos Guindais, que descem a pique ao lado da muralha e de uns carris muito inclinados. Lá em baixo, junto ao rio, fica a última paragem.

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