Praça da Ribeira e o Cubo: a sala de estar da Invicta

Why is it significant?

Fachadas altas e estreitas, ocre, azul, verde, com varandas de ferro e roupa a secar, apertadas umas contra as outras como passageiros num elétrico à hora de ponta. No meio da praça, uma escultura de bronze em forma de cubo. E à frente, o Douro, largo e escuro, com Gaia do outro lado.

Key Facts

PlacePraça da Ribeira e o Cubo: a sala de estar da Invicta
AddressPraça da Ribeira, 4050 Porto, Portugal
Geo Coordinates41.14060, -8.61270
Part of WalkO Burgo da Invicta: Sé, Ribeira e o Porto Medieval
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Fachadas altas e estreitas, ocre, azul, verde, com varandas de ferro e roupa a secar, apertadas umas contra as outras como passageiros num elétrico à hora de ponta. No meio da praça, uma escultura de bronze em forma de cubo. E à frente, o Douro, largo e escuro, com Gaia do outro lado. Estás na Praça da Ribeira, a sala de estar da Invicta.

Durante séculos, isto foi o coração económico do Porto. Os barcos encostavam ao cais, descarregava-se peixe, sal e panos, e o vinho começava a ser negócio sério. A praça ganhou o desenho atual no século XVIII, com fachadas mais regulares, mas os rés-do-chão nunca deixaram de ser comércio. Em 1996, o centro histórico do Porto, com a Ribeira à cabeça, entrou na lista do Património Mundial da UNESCO.

Agora o cubo. É uma escultura de José Rodrigues, um dos grandes escultores portuenses do século XX, e há décadas que é o ponto de encontro cá de baixo. Ninguém diz vemo-nos na Praça da Ribeira: diz-se vemo-nos ao Cubo, e pronto. É curioso que, numa praça de casas tortas e coloridas, o símbolo seja uma forma geométrica perfeita... como se o artista quisesse pôr um bocadinho de ordem no caos ribeirinho.

Junto ao rio há uma memória mais dura. A 29 de março de 1809, as tropas francesas do marechal Soult entraram no Porto, e milhares de pessoas fugiram em pânico para a Ponte das Barcas, uma ponte feita de barcos que ligava as duas margens. A ponte cedeu. Centenas, talvez milhares, morreram afogadas no Douro. No muro do cais, as Alminhas da Ponte lembram esse dia, e ainda hoje há quem lhes deixe velas e flores.

Agora vira as costas ao rio. Nas traseiras da praça sobem escadinhas e becos estreitos: é o Barredo, um dos bairros mais antigos da cidade. Sobe por eles, sem medo dos degraus, até um largo pequeno debaixo de uma fachada de granito com duas torres. É a primeira subida a sério do dia... e não vai ser a última.

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