Praça da República: o Campo de Santo Ovídio
Why is it significant?
Entra no jardim da praça e procura sombra debaixo das árvores. À volta há casas burguesas de dois e três andares, com azulejo e ferro forjado, e no lado norte um edifício comprido, de fachada militar: o velho quartel de Santo Ovídio.
Key Facts
| Place | Praça da República: o Campo de Santo Ovídio |
|---|---|
| Address | Praça da República, 4050-497 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.15440, -8.61270 |
| Part of Walk | Granito, Azulejo e Revolução: da Estação de São Bento ao Coração de D. Pedro no Porto |
| Generated | Generated |
Entra no jardim da praça e procura sombra debaixo das árvores. À volta há casas burguesas de dois e três andares, com azulejo e ferro forjado, e no lado norte um edifício comprido, de fachada militar: o velho quartel de Santo Ovídio. A praça parece tranquila, quase de bairro, mas foi aqui que o Porto começou duas revoluções.
Durante séculos isto foi o Campo de Santo Ovídio, um descampado à saída da cidade, onde se faziam feiras e onde a tropa fazia exercício. A 24 de agosto de 1820, foi daqui que partiu o pronunciamento militar que deu início à revolução liberal, a que acabaria com o absolutismo e daria a Portugal a sua primeira Constituição. Um dos cabecilhas era o magistrado Manuel Fernandes Tomás... sim, o da rua por onde desceste há pouco, ao longo dos azulejos.
Setenta anos depois, a história repetiu-se com outro sonho. Na madrugada de 31 de janeiro de 1891, soldados reunidos neste campo saíram para proclamar a República. Desceram até à Praça de D. Pedro, a atual Praça da Liberdade, anunciaram o novo regime da varanda da antiga Câmara e subiram a rua que levava a Santo Ildefonso... onde a Guarda Municipal os esperava. Lembras-te daquela escadaria? Foi lá que tudo acabou.
O nome República só chegou depois de 1910, quando o regime finalmente venceu em Lisboa. E repara como a praça conta essa passagem com pedra e com árvores: o quartel de simetria rígida, as casas oitocentistas com fachadas de azulejo, e o jardim que transformou o antigo campo de manobras num lugar de bancos e de avós com netos. O Porto tem esta mania de pôr flores onde antes havia pólvora.
Falta a última paragem, e é a mais íntima. Sai pelo lado norte da praça e segue pela Rua da Lapa, a subir, uns trezentos metros, até à igreja de fachada clássica que domina o largo lá em cima.