Avenida dos Aliados: a Sala de Estar do Porto
Why is it significant?
Para a meio da avenida e roda devagar sobre ti mesmo. De cada lado, prédios de granito com cúpulas, mansardas, frontões e varandas, como se um pedaço de Paris tivesse sido talhado em pedra do Norte. Ao fundo, a Câmara fecha a perspetiva; atrás de ti, D. Pedro guarda a outra ponta.
Key Facts
| Place | Avenida dos Aliados: a Sala de Estar do Porto |
|---|---|
| Address | Avenida dos Aliados, 4000-064 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.14840, -8.61080 |
| Part of Walk | Granito, Azulejo e Revolução: da Estação de São Bento ao Coração de D. Pedro no Porto |
| Generated | Generated |
Para a meio da avenida e roda devagar sobre ti mesmo. De cada lado, prédios de granito com cúpulas, mansardas, frontões e varandas, como se um pedaço de Paris tivesse sido talhado em pedra do Norte. Ao fundo, a Câmara fecha a perspetiva; atrás de ti, D. Pedro guarda a outra ponta.
Há pouco mais de cem anos, nada disto existia. Aqui havia ruas estreitas, quintais e casas antigas, o chamado Bairro do Laranjal. A partir de 1916 tudo foi demolido para abrir uma avenida moderna, segundo um plano em que participou o urbanista inglês Barry Parker, conhecido pelas cidades-jardim. O nome também é dessa época: Aliados, em homenagem aos países ao lado de quem Portugal combateu na Primeira Guerra Mundial, na qual entrou nesse mesmo ano de 1916.
Os edifícios foram subindo ao longo das décadas de vinte, trinta e quarenta, e muitos eram sedes de bancos, seguradoras e jornais. Quem tinha dinheiro no Porto queria uma morada aqui. Repara como os prédios conversam entre si: alturas parecidas, granito claro, remates em cúpula ou em ardósia escura. É um conjunto quase disciplinado demais para uma cidade tão rebelde. E repara, mais acima, na estátua de bronze de uma rapariga a quem os portuenses chamam simplesmente a Menina Nua.
Nem toda a gente gosta do aspeto que a avenida tem hoje. Com as obras do metro, foi redesenhada por Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura, os dois arquitetos portuenses premiados com o Pritzker, e reinaugurada em 2006. Os canteiros floridos desapareceram e deram lugar a um grande tapete de granito, e a cidade dividiu-se: uns viram elegância, outros um deserto de pedra. A discussão ainda aparece em qualquer conversa de café.
Uma coisa ninguém discute: esta é a sala de estar do Porto. É aqui que se recebe o Ano Novo, que se festejam os campeonatos do FC Porto e que se fazem as grandes manifestações. Continua a subir até ao topo, até aos pés da torre.