Câmara Municipal do Porto

Why is it significant?

Chegaste ao topo da avenida. À tua frente ergue-se o edifício da Câmara Municipal: granito maciço, varandas, figuras de pedra e, ao centro, uma torre de relógio com cerca de setenta metros que se vê de quase toda a Baixa.

Key Facts

PlaceCâmara Municipal do Porto
AddressPraça do General Humberto Delgado, 4049-001 Porto, Portugal
Geo Coordinates41.15010, -8.61070
Part of WalkGranito, Azulejo e Revolução: da Estação de São Bento ao Coração de D. Pedro no Porto
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Chegaste ao topo da avenida. À tua frente ergue-se o edifício da Câmara Municipal: granito maciço, varandas, figuras de pedra e, ao centro, uma torre de relógio com cerca de setenta metros que se vê de quase toda a Baixa. Diante dela, em bronze, está Almeida Garrett, escritor e filho da cidade, como quem prepara um discurso.

O projeto é do arquiteto António Correia da Silva, o mesmo do Mercado do Bolhão. A obra começou em 1920 e arrastou-se durante mais de três décadas, entre falta de dinheiro, mudanças de gosto e revisões do projeto. O edifício só ficou pronto nos anos cinquenta. É um palácio desenhado numa época e acabado noutra, e isso nota-se.

Repara na mistura. Os telhados inclinados e a torre lembram as casas senhoriais do Norte, mas as linhas direitas e as figuras de pedra já têm a solenidade dos anos trinta e quarenta. É uma Câmara que quis parecer antiga e moderna ao mesmo tempo, num granito que custou anos a talhar. Lá dentro, salões de mármore e escadarias nobres serviram para receber chefes de Estado, artistas e, claro, campeões.

A praça em frente chama-se General Humberto Delgado, e o nome tem peso. Em maio de 1958, Delgado, candidato da oposição contra o regime de Salazar, veio ao Porto e foi recebido por uma multidão imensa que encheu as ruas da Baixa. Dias antes, um jornalista perguntara-lhe o que faria a Salazar se ganhasse, e ele respondera: obviamente, demito-o. Perdeu umas eleições marcadas pela fraude e foi assassinado pela polícia política em 1965.

Agora deixa a Câmara para trás e segue para norte, uns quinhentos metros sempre a subir com suavidade, pelas ruas de prédios burgueses, até uma grande praça arborizada com um velho quartel ao fundo. É a Praça da República, e foi lá que o Porto começou duas revoluções.

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