Igreja de Santa Marinha: Portus, Cale e a lenda de Gaia
Why is it significant?
À tua frente está a Igreja de Santa Marinha, a igreja matriz de Vila Nova de Gaia, com a fachada de granito e o adro sossegado, longe do burburinho das caves. É fácil passar sem reparar.
Key Facts
| Place | Igreja de Santa Marinha: Portus, Cale e a lenda de Gaia |
|---|---|
| Address | Rua de Santa Marinha, 4400 Vila Nova de Gaia, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.13620, -8.61470 |
| Part of Walk | Caves de Gaia: a História do Vinho do Porto à Beira do Douro |
| Generated | Generated |
À tua frente está a Igreja de Santa Marinha, a igreja matriz de Vila Nova de Gaia, com a fachada de granito e o adro sossegado, longe do burburinho das caves. É fácil passar sem reparar. Mas este é um bom sítio para falar do que esta margem era muito antes de haver vinho do Porto... e até antes de haver Portugal.
Na Antiguidade e na Alta Idade Média, havia povoações frente a frente nas duas margens do Douro: Portus, do lado de lá, e Cale, que muitos situam deste lado. Uma das explicações mais aceites para o nome do país nasce aí: Portus Cale, que deu Portucale, o condado que viria a ser Portugal. Ou seja, se a teoria estiver certa, metade do nome de Portugal mora em Gaia.
Os de Gaia não se cansam de lembrar isto aos do Porto. Os do Porto respondem que o vinho tem o nome deles. E assim se mantém, há séculos, uma rivalidade de vizinhos que partilham um rio, uma ponte e uma garrafa. É uma rivalidade com humor, mas ninguém a deixa morrer: no Norte, discutir é uma forma de carinho.
Há também uma lenda antiga sobre esta margem, a do rei Ramiro. Conta-se que um rei cristão veio a Gaia recuperar a mulher, raptada por um rei mouro que tinha aqui o seu castelo, que entrou disfarçado e que no fim castigou toda a gente, a rainha incluída. Há quem diga que o nome de Gaia vem dela. Como todas as boas lendas, tem mais versões do que pormenores certos, e cada avó de Gaia conta a sua.
Agora desce em direção ao rio e segue para poente, pela Avenida de Ramos Pinto, ao longo do cais. Uns quatrocentos metros à frente, procura o nome Ferreira na fachada. É a casa de uma mulher que o Douro inteiro ainda trata pelo diminutivo.