Estação de São Bento: Vinte Mil Azulejos
Why is it significant?
Entra no átrio e deixa os olhos subirem pelas paredes. Cerca de vinte mil azulejos azuis e brancos cobrem tudo, do rodapé quase até ao teto, e contam a história de Portugal como uma banda desenhada gigante.
Key Facts
| Place | Estação de São Bento: Vinte Mil Azulejos |
|---|---|
| Address | Praça de Almeida Garrett, 4000-069 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.14550, -8.61050 |
| Part of Walk | Granito, Azulejo e Revolução: da Estação de São Bento ao Coração de D. Pedro no Porto |
| Generated | Generated |
Entra no átrio e deixa os olhos subirem pelas paredes. Cerca de vinte mil azulejos azuis e brancos cobrem tudo, do rodapé quase até ao teto, e contam a história de Portugal como uma banda desenhada gigante. À tua volta há gente a correr para o comboio de Guimarães ou de Aveiro, de mochila às costas, e quase ninguém olha para cima. Tu olha.
Este sítio nem sempre foi uma estação. Aqui erguia-se o Convento de São Bento de Avé-Maria, de freiras beneditinas, e quando o caminho de ferro quis chegar ao coração da cidade havia um problema delicado. Conta-se que foi preciso esperar pela morte da última freira para deitar o convento abaixo. O santo ficou no nome, e é por isso que uma estação de comboios se chama como um mosteiro.
O edifício é do arquiteto portuense José Marques da Silva, que estudou em Paris e trouxe de lá o gosto pelas mansardas, pelo relógio na fachada e pelo granito tratado como pedra de grande boulevard. O rei D. Carlos lançou a primeira pedra em 1900, mas a estação só foi inaugurada em 1916, já em plena República. O rei nunca a viu acabada... tinha sido assassinado em Lisboa em 1908.
Os azulejos são de Jorge Colaço, pintados entre 1905 e 1916, e há um pormenor que pouca gente conhece: Colaço nasceu em Tânger, em Marrocos, filho de um diplomata português. Foi um homem nascido do outro lado do mar que pintou a epopeia portuguesa nestas paredes. Procura o painel da entrada de D. João I e de D. Filipa de Lencastre no Porto, em 1387, para o casamento celebrado na Sé, e o da conquista de Ceuta, em 1415. Lá no alto, uma faixa colorida conta a evolução dos transportes, dos carros de bois até ao comboio a vapor... a estação a contar a sua própria história.
Repara ainda como o azul muda com a luz: de manhã é frio, quase cinzento, ao fim da tarde fica quente como tinta fresca. Vais reencontrar este azul ao longo de todo o passeio, porque o Porto do século XX apaixonou-se pelo azulejo. Agora sai, contorna a estação pelo lado da Rua da Madeira, a rampa estreita encostada às suas paredes, e sobe até à Praça da Batalha. É curta mas é a sério... o Porto avisa logo à primeira paragem.