Caves Ferreira e Dona Antónia, a Ferreirinha
Why is it significant?
Estás diante das caves Ferreira, à beira do rio, com armazéns compridos que se perdem para dentro da encosta. É uma casa portuguesa, fundada em 1751, e a sua grande figura não foi um comerciante de casaca.
Key Facts
| Place | Caves Ferreira e Dona Antónia, a Ferreirinha |
|---|---|
| Address | Avenida de Ramos Pinto 70, 4400 Vila Nova de Gaia, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.13690, -8.61930 |
| Part of Walk | Caves de Gaia: a História do Vinho do Porto à Beira do Douro |
| Generated | Generated |
Estás diante das caves Ferreira, à beira do rio, com armazéns compridos que se perdem para dentro da encosta. É uma casa portuguesa, fundada em 1751, e a sua grande figura não foi um comerciante de casaca. Foi uma mulher do Douro, baixinha, vestida de escuro, que ficou para a história como a Ferreirinha.
Dona Antónia Adelaide Ferreira nasceu em 1811, na Régua, numa família de produtores de vinho. Ficou viúva cedo, com pouco mais de trinta anos, e em vez de entregar o negócio a outros, pegou nele ela própria. Comprou quintas, plantou vinhas, ajudou a abrir estradas e a sustentar escolas e hospitais, e tornou-se uma das pessoas mais ricas e respeitadas do país. No Douro chamavam-lhe a Ferreirinha, com carinho e com respeito.
Em 1861, Dona Antónia descia o Douro num barco com o barão de Forrester, um inglês que conhecia o rio melhor do que ninguém e que o tinha cartografado. No Cachão da Valeira, o barco virou. Forrester afogou-se, diz-se que puxado para o fundo pelo cinto cheio de moedas de ouro. Dona Antónia salvou-se, e a lenda conta que foram as saias largas, armadas em balão, que a mantiveram à tona.
Nos anos seguintes, o Douro foi atacado pela filoxera, a praga que destruiu vinhas por toda a Europa. Enquanto muitos desistiam, Dona Antónia continuou a investir, a replantar e a dar trabalho. Morreu em 1896, e o Douro chorou-a como a uma rainha. A casa Ferreira continuou, e em 1952 deu ao país um vinho de mesa que se tornou lenda, o Barca Velha... mas essa já é outra garrafa.
Agora continua para poente, primeiro ao longo do rio e depois a subir por ruas íngremes até ao alto do morro. É a última subida do dia, prometo. A casa que fecha esta caminhada está lá em cima, de frente para o Porto inteiro, com uma das melhores varandas de Gaia.