Capela das Almas: uma Igreja Embrulhada em Azul
Why is it significant?
Para na esquina e afasta-te uns passos para caber tudo no olhar. A Capela das Almas está forrada de azulejos azuis e brancos na fachada e na parede lateral, como se alguém a tivesse embrulhado num lenço de louça.
Key Facts
| Place | Capela das Almas: uma Igreja Embrulhada em Azul |
|---|---|
| Address | Rua de Santa Catarina 428, 4000-124 Porto, Portugal |
| Geo Coordinates | 41.14980, -8.60560 |
| Part of Walk | Granito, Azulejo e Revolução: da Estação de São Bento ao Coração de D. Pedro no Porto |
| Generated | Generated |
Para na esquina e afasta-te uns passos para caber tudo no olhar. A Capela das Almas está forrada de azulejos azuis e brancos na fachada e na parede lateral, como se alguém a tivesse embrulhado num lenço de louça. Ao lado passam autocarros, carrinhas de entregas e gente com sacos de compras, e a capela continua ali, serena, a fazer de postal.
Tem dois nomes, e ambos são verdadeiros. Oficialmente é a Capela de Santa Catarina, a santa que deu o nome à rua. Mas o povo chama-lhe Capela das Almas, por causa da devoção às almas do Purgatório, por quem aqui se rezava e se mandavam dizer missas. O edifício é do século XVIII, sóbrio, quase modesto. O que o transformou foi o que veio depois.
Em 1929, o pintor Eduardo Leite cobriu as paredes exteriores com cerca de dezasseis mil azulejos. Na parede lateral, ao longo da Rua de Fernandes Tomás, há cenas da morte de São Francisco de Assis e do martírio de Santa Catarina de Alexandria, a jovem que, diz a tradição, foi condenada à roda dentada e acabou decapitada. Os painéis têm a escala de um filme panorâmico, e lê-los de uma ponta à outra é uma pequena procissão a pé.
Repara num pormenor que é também uma lição de arquitetura. Aqui, o azulejo não é enfeite pendurado: é pele. Protege a parede da humidade atlântica, lava-se com a chuva e devolve luz a uma rua estreita. Foi por isso que o Porto se cobriu de azulejo entre o século XIX e o início do século XX, e esta capela é talvez o exemplo mais teatral dessa paixão, pintado poucos anos antes da fachada de Santo Ildefonso.
Agora desce a Rua de Fernandes Tomás para poente, ao longo dos painéis, e fica atento ao nome da rua: vais ouvi-lo outra vez, numa praça onde começou uma revolução. Ao fim de uns cem metros, à tua esquerda, vais sentir o cheiro antes de veres a porta: peixe, flores, fruta, café. É o Bolhão.