A Voz do Operário: a escola que os operários construíram

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Para a meio da subida e olha para o edifício grande e sóbrio que ocupa quase um quarteirão desta rua inclinada, com o nome A Voz do Operário escrito na fachada. Pela frente passa o elétrico 28, a raspar no passeio.

Key Facts

PlaceA Voz do Operário: a escola que os operários construíram
AddressRua da Voz do Operário, 1100 Lisboa, Portugal
Geo Coordinates38.71550, -9.12930
Part of WalkGraça e São Vicente: azulejos, panteões e miradouros no alto de Lisboa
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Para a meio da subida e olha para o edifício grande e sóbrio que ocupa quase um quarteirão desta rua inclinada, com o nome A Voz do Operário escrito na fachada. Pela frente passa o elétrico 28, a raspar no passeio. Parece uma escola pública como tantas outras... mas foi construída por operários, com o dinheiro dos operários.

Tudo começou com um jornal. Em 1879, os trabalhadores das fábricas de tabaco de Lisboa, que estavam entre os operários mais organizados da cidade, fundaram um semanário para defender os seus direitos, e chamaram-lhe A Voz do Operário. Para o manter vivo criaram, em 1883, uma sociedade. E essa sociedade depressa percebeu que havia uma coisa ainda mais urgente do que um jornal: ensinar os filhos dos operários a ler.

Convém lembrar o país de então. Por volta de 1900, cerca de três em cada quatro portugueses não sabiam ler nem escrever. As crianças pobres de Lisboa trabalhavam cedo, em fábricas, oficinas e no porto, e a escola era um luxo. A Voz do Operário abriu escolas gratuitas para elas, pagas pelas quotas de milhares de sócios, gente que ganhava pouco e mesmo assim dava alguma coisa para que os filhos dos outros aprendessem.

Este edifício, a sede, foi inaugurado nos anos 30 e foi pensado à grande, com salas de aula, biblioteca e um salão de festas. Gerações de lisboetas da Graça, de São Vicente e da Alfama aprenderam aqui as primeiras letras. Há qualquer coisa de comovente nesta escala: o bairro operário a construir para si próprio um edifício tão sério como os dos ricos.

E a história não acabou. A Voz do Operário continua a ter escolas e creches em Lisboa, e a sede é ainda lugar de assembleias, concertos e bailes do bairro. Se a porta estiver aberta, espreita o átrio. Depois continua a subir a rua; o Largo da Graça fica mesmo aqui acima, onde o elétrico faz a curva.

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