Campo de Santa Clara e a Feira da Ladra
Why is it significant?
Estás num largo comprido, com a cúpula branca de Santa Engrácia de um lado e as torres de São Vicente do outro.
Key Facts
| Place | Campo de Santa Clara e a Feira da Ladra |
|---|---|
| Address | Campo de Santa Clara, 1100 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71570, -9.12580 |
| Part of Walk | Graça e São Vicente: azulejos, panteões e miradouros no alto de Lisboa |
| Generated | Generated |
Estás num largo comprido, com a cúpula branca de Santa Engrácia de um lado e as torres de São Vicente do outro. Nos dias de feira, este chão enche-se de panos estendidos e de bancas improvisadas: discos de vinil, azulejos soltos, fardas antigas, telefones de disco, brinquedos de lata, livros sem capa e coisas que ninguém sabe para que servem. É a Feira da Ladra, e o seu palco é o Campo de Santa Clara.
É uma das feiras mais antigas de Lisboa. Há notícia de uma feira de coisas usadas na cidade desde a Idade Média, e ela andou de largo em largo antes de se instalar aqui, há mais de um século. E o nome? Há quem diga que vem das coisas roubadas que ali se revendiam, ladra de ladrão. Outros garantem que tem a ver com os bichos que vinham agarrados à roupa velha. Nenhuma das versões é muito lisonjeira, e os lisboetas gostam das duas.
Para um lisboeta, a feira é quase um desporto. Há os colecionadores que chegam de lanterna ao nascer do dia, para apanhar o melhor antes de toda a gente. Há a arte de regatear com calma, sem ofender ninguém. E há o prazer de encontrar, no meio da tralha, uma fotografia de família de 1920, um postal escrito por um desconhecido ou um azulejo do século XIX... o que, diga-se, também pode ser um problema sério.
Lisboa perdeu milhares de azulejos de fachadas, igrejas e palácios para o roubo e para o mercado negro. Por isso nasceu o projeto SOS Azulejo, ligado à Polícia Judiciária, para identificar peças roubadas e ajudar a recuperá-las, e a cidade passou a proteger as fachadas azulejadas contra a demolição. Se vires um painel bonito numa banca, a pergunta certa não é quanto custa. É de onde veio.
Antes de seguires, olha outra vez para a cúpula. Santa Engrácia levou quase três séculos a ficar pronta, de 1682 a 1966, e é por isso que em Lisboa uma obra que nunca mais acaba é uma obra de Santa Engrácia. Mas o primeiro tesouro deste passeio está do outro lado: um dos conjuntos de azulejos mais impressionantes de Lisboa, no sítio onde foi posto há quase trezentos anos. Segue o largo para poente, passa pelo velho mercado, e vais ver uma fachada branca com duas torres a fechar a rua. É São Vicente de Fora.