Largo da Graça, Vila Sousa e o elétrico 28
Why is it significant?
Chegaste ao Largo da Graça, o coração do bairro: cafés com esplanada, bancos à sombra, velhotes a discutir futebol e, a cada poucos minutos, o chiar de um elétrico amarelo a fazer a curva. Num dos lados do largo, repara num prédio comprido e decorado, com uma passagem em arco ao centro.
Key Facts
| Place | Largo da Graça, Vila Sousa e o elétrico 28 |
|---|---|
| Address | Largo da Graça, 1170 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71610, -9.13060 |
| Part of Walk | Graça e São Vicente: azulejos, panteões e miradouros no alto de Lisboa |
| Generated | Generated |
Chegaste ao Largo da Graça, o coração do bairro: cafés com esplanada, bancos à sombra, velhotes a discutir futebol e, a cada poucos minutos, o chiar de um elétrico amarelo a fazer a curva. Num dos lados do largo, repara num prédio comprido e decorado, com uma passagem em arco ao centro. É a Vila Sousa.
As vilas são uma invenção lisboeta do século XIX. Quando as fábricas cresceram na zona oriental, em Xabregas e em Marvila, milhares de operários chegaram do campo e não havia onde os pôr. Proprietários e industriais construíram então estes conjuntos de pequenas casas à volta de um pátio, escondidos atrás de uma fachada mais nobre. A Vila Sousa, do final do século XIX, é das mais elegantes, e passa-se pelo arco como quem entra noutro mundo, mais silencioso, onde ainda há gente a viver.
E agora, o elétrico. Lisboa tem elétricos movidos a eletricidade desde 1901, e a carreira 28 tornou-se a mais famosa de todas, a subir e a descer colinas em curvas impossíveis, a centímetros das paredes. Os carros amarelos de madeira que vês são os chamados remodelados: carros antigos modernizados por dentro nos anos 90, que mantêm o aspeto e o barulho de há quase um século.
Para os vizinhos, o 28 tornou-se um problema. As filas de turistas são tão grandes que muitos moradores idosos já não conseguem entrar no elétrico que passa à porta de casa. Ao mesmo tempo, o bairro foi mudando: muitas casas passaram a alojamento local e as rendas empurraram famílias inteiras para fora. Quando parares num café aqui do largo, repara em quem ainda é do bairro... é cada vez mais raro, e cada vez mais precioso.
Em junho, nas festas dos Santos Populares, este largo enche-se de cheiro a sardinha assada, de manjericos e de bandeirinhas, e a marcha da Graça, que ensaia meses a fio, sai daqui para desfilar na avenida. Agora atravessa o largo em direção à igreja e passa por baixo das árvores até ao miradouro. São só uns passos.