Miradouro Sophia de Mello Breyner Andresen e a Igreja da Graça

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Encosta-te ao parapeito, debaixo dos pinheiros mansos, e deixa a cidade abrir-se à tua frente: o castelo à esquerda, a Baixa lá em baixo, o Bairro Alto do outro lado do vale e o rio ao fundo, com a ponte. Atrás de ti ficam a igreja e o convento da Graça.

Key Facts

PlaceMiradouro Sophia de Mello Breyner Andresen e a Igreja da Graça
AddressLargo da Graça, Miradouro Sophia de Mello Breyner Andresen, 1170 Lisboa, Portugal
Geo Coordinates38.71630, -9.13200
Part of WalkGraça e São Vicente: azulejos, panteões e miradouros no alto de Lisboa
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Encosta-te ao parapeito, debaixo dos pinheiros mansos, e deixa a cidade abrir-se à tua frente: o castelo à esquerda, a Baixa lá em baixo, o Bairro Alto do outro lado do vale e o rio ao fundo, com a ponte. Atrás de ti ficam a igreja e o convento da Graça. Durante muito tempo isto foi só o Miradouro da Graça. Hoje tem o nome de uma poeta: Sophia de Mello Breyner Andresen.

O convento é dos mais antigos da cidade: os frades agostinhos instalaram-se nesta colina no século XIII. Daqui sai, todos os anos na Quaresma, a procissão do Senhor dos Passos da Graça, uma das mais antigas de Lisboa, com uma imagem de Cristo a carregar a cruz que os lisboetas veneram há séculos. E nesta igreja foi sepultado Afonso de Albuquerque, o governador da Índia... só que o túmulo se perdeu com o terramoto de 1755.

Depois de 1834, com a extinção das ordens religiosas, o convento passou para o exército e foi quartel durante muito tempo. É uma história que se repete por toda a cidade: conventos que se tornaram quartéis, hospitais, escolas, ministérios. A Lisboa liberal do século XIX instalou-se, literalmente, dentro das casas dos frades.

Sophia nasceu no Porto, em 1919, mas viveu grande parte da vida aqui na Graça, a poucos passos deste miradouro. Escreveu sobre o mar, a luz e a justiça, e foi uma voz firme contra a ditadura. Depois da revolução de 1974 escreveu o poema mais citado desse dia, aquele que chama ao 25 de Abril o dia inicial inteiro e limpo. Em 1999 foi a primeira mulher a receber o Prémio Camões, e desde 2014 repousa no Panteão Nacional, debaixo daquela cúpula branca que viste ao lado da Feira da Ladra.

Fica um minuto calado e ouve: os sinos, as gaivotas, um elétrico lá em baixo, alguém a estender a roupa numa janela. É este o som da Graça. Depois segue pelas ruas para norte, uns minutos apenas, até ao portão do Jardim da Cerca da Graça, que desce em socalcos pela encosta.

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