Panteão Nacional
Why is it significant?
Levanta a cabeça para a cúpula branca que domina o Campo de Santa Clara, e depois olha para trás, para o Tejo azul que se abre do terraço lá de cima. Este edifício é a antiga Igreja de Santa Engrácia, hoje Panteão Nacional, e tem uma das histórias mais lisboetas que conheço.
Key Facts
| Place | Panteão Nacional |
|---|---|
| Address | Campo de Santa Clara, 1100 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71500, -9.12470 |
| Part of Walk | Mouraria, berço do fado: de Severa a Amália em Lisboa |
| Generated | Generated |
Levanta a cabeça para a cúpula branca que domina o Campo de Santa Clara, e depois olha para trás, para o Tejo azul que se abre do terraço lá de cima. Este edifício é a antiga Igreja de Santa Engrácia, hoje Panteão Nacional, e tem uma das histórias mais lisboetas que conheço.
É que demorou quase três séculos a acabar. As obras começaram em 1682 e a cúpula só ficou concluída em 1966. Por isso, quando em Portugal uma obra nunca mais acaba, ainda se diz que são obras de Santa Engrácia. Há até uma lenda: um homem acusado injustamente de um roubo sacrílego na igreja anterior, executado no século XVII, terá jurado que a obra nunca havia de ficar pronta.
O Estado Novo terminou-a e transformou-a em Panteão Nacional, o lugar onde a República honra os seus mortos ilustres: presidentes, escritores como Almeida Garrett e João de Deus, o poeta Guerra Junqueiro, o general Humberto Delgado. A planta em cruz grega é rara em Lisboa, e do terraço vê-se o estuário quase inteiro. Mais recentemente chegaram a poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, o futebolista Eusébio e Eça de Queirós.
Em julho de 2001, Amália Rodrigues foi trasladada do Cemitério dos Prazeres para aqui. Foi a primeira mulher a receber honras de Panteão em Portugal. Repara no que isto significa: a música que nasceu nas tabernas da Mouraria, cantada por mulheres que a cidade respeitável desprezava, entrou no mesmo edifício onde repousam presidentes e escritores.
Dizem os fãs que há sempre flores frescas junto ao túmulo dela, e é verdade que raramente falta um ramo. Para o último passo, desce para sul, pelas escadinhas e pelas ruas de Alfama, até ao Largo do Chafariz de Dentro, junto ao rio. É sempre a descer, uns quinhentos metros, e no fim espera-te a casa de todo o fado.