Museu Militar: do arsenal real aos heróis pintados
Why is it significant?
Para diante desta fachada comprida e solene, com janelas a perder de vista, mesmo em frente à estação de Santa Apolónia. Parece um palácio, e por dentro quase é. Mas durante séculos o que aqui se fazia, e se guardava, eram armas.
Key Facts
| Place | Museu Militar: do arsenal real aos heróis pintados |
|---|---|
| Address | Largo do Museu de Artilharia, 1100-366 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71310, -9.12440 |
| Part of Walk | Alfama e Castelo de São Jorge: a Lisboa mais antiga, do cerco de 1147 aos becos |
| Generated | Generated |
Para diante desta fachada comprida e solene, com janelas a perder de vista, mesmo em frente à estação de Santa Apolónia. Parece um palácio, e por dentro quase é. Mas durante séculos o que aqui se fazia, e se guardava, eram armas.
Desde o século XVI que este canto da cidade, junto ao limite oriental da muralha de D. Fernando, servia a guerra: armazéns, oficinas e uma fundição onde se moldava o bronze das peças de artilharia que seguiam nas naus. O terramoto de 1755 arrasou o conjunto, e o edifício que vês nasceu da reconstrução, como arsenal real do exército. Daqui saíam canhões, pólvora e equipamento para as guerras do reino e do império.
Em meados do século XIX, o arsenal começou a ganhar outra vida, como Museu de Artilharia, e mais tarde passou a chamar-se Museu Militar. É um dos museus mais antigos de Lisboa. E as salas lá dentro são uma surpresa que pouca gente espera: tetos pintados, talha dourada, azulejos e grandes telas de pintores portugueses da viragem do século, encomendadas para contar a história do país em batalhas, descobertas e heróis.
Mas um museu destes também pede que o vejas com espírito crítico. A artilharia que daqui saía serviu as viagens dos Descobrimentos, sim, mas serviu também a conquista, o comércio de pessoas escravizadas e as guerras coloniais em África, que só terminaram depois do 25 de Abril de 1974. Os heróis dos tetos pintados são uma versão da história, escolhida por quem os encomendou e pela época em que foram pintados.
E agora olha para trás, para o caminho que fizeste. Começaste numa casa de mercador dos Descobrimentos, passaste pela catedral de 1147, por um teatro do tempo de Nero, pela alcáçova moura, pela judiaria e pelos chafarizes onde a cidade bebia. Em pouco mais de dois quilómetros, atravessaste dois mil anos de Lisboa, quase sempre a subir e a descer. A estação de Santa Apolónia está mesmo aí à frente, com metro e comboios. E se ainda tiveres pernas, o rio fica a dois passos para um último olhar ao Tejo.