Praça Martim Moniz
Why is it significant?
Olha para cima, por cima dos prédios do lado nascente: lá no alto, a muralha do Castelo de São Jorge recorta-se contra o céu. Esta praça comprida, cheia de elétricos, autocarros e gente a atravessar, tem o nome de um homem que, segundo a lenda, ajudou a tomar aquele castelo com o próprio corpo.
Key Facts
| Place | Praça Martim Moniz |
|---|---|
| Address | Praça Martim Moniz, 1100 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71700, -9.13660 |
| Part of Walk | Mouraria, berço do fado: de Severa a Amália em Lisboa |
| Generated | Generated |
Olha para cima, por cima dos prédios do lado nascente: lá no alto, a muralha do Castelo de São Jorge recorta-se contra o céu. Esta praça comprida, cheia de elétricos, autocarros e gente a atravessar, tem o nome de um homem que, segundo a lenda, ajudou a tomar aquele castelo com o próprio corpo.
Estamos em 1147. D. Afonso Henriques cerca Lisboa, ajudado por cruzados vindos do Norte da Europa a caminho da Terra Santa. Conta a lenda que um cavaleiro chamado Martim Moniz viu uma porta do castelo entreaberta e se atirou para dentro dela, deixando-se esmagar entre os batentes para que os mouros não a conseguissem fechar. Os companheiros entraram, e a porta ficou a chamar-se Porta de Martim Moniz.
A história real foi mais longa e menos heroica: um cerco de vários meses, fome, doença e, no fim, a rendição da cidade e um saque violento. Mas Lisboa prefere a lenda, e a lenda ficou gravada nesta praça.
E a praça em si também conta uma perda. Até meados do século XX, aqui havia ruas estreitas, uma igreja, casas antigas, a parte baixa da velha Mouraria. Os planos urbanísticos do Estado Novo deitaram quase tudo abaixo a partir dos anos 1940, para abrir avenidas que muitas vezes nem chegaram a ser feitas. Durante décadas ficou aqui um terreno vazio, uma ferida no bairro. Não é por acaso que tantos fados choram a Mouraria antiga: Amália cantou-a em Ai Mouraria, quando boa parte dela já tinha desaparecido.
Hoje, a praça é o lugar mais multicultural de Lisboa, com lojas chinesas, restaurantes indianos e mercados de rua aos fins de semana. Caminha agora para o canto sul da praça, onde começa a Rua da Mouraria. Ali, apertada entre prédios de comércio, há uma capela pequenina que guarda a procissão mais antiga da cidade.