Rua do Benformoso

Why is it significant?

Abranda o passo e deixa-te ir com a rua: lojas de especiarias, mercearias com sacos de arroz basmati à porta, barbeiros, cartazes em bengali e em nepalês, homens a conversar em grupos à saída de uma sala de oração. Estás numa das ruas mais antigas da Mouraria, e numa das mais vivas de Lisboa.

Key Facts

PlaceRua do Benformoso
AddressRua do Benformoso, 1100 Lisboa, Portugal
Geo Coordinates38.71850, -9.13520
Part of WalkMouraria, berço do fado: de Severa a Amália em Lisboa
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Abranda o passo e deixa-te ir com a rua: lojas de especiarias, mercearias com sacos de arroz basmati à porta, barbeiros, cartazes em bengali e em nepalês, homens a conversar em grupos à saída de uma sala de oração. Estás numa das ruas mais antigas da Mouraria, e numa das mais vivas de Lisboa.

A Mouraria sempre foi a casa de quem chegou de fora. Depois da conquista cristã de 1147, os muçulmanos que ficaram na cidade foram mandados viver aqui, fora das muralhas. Mais tarde vieram galegos, gente do interior à procura de trabalho, africanos, chineses, e agora famílias do Bangladesh, do Nepal, da Índia e do Paquistão. O bairro mudou de sotaque muitas vezes, mas nunca deixou de ser porta de entrada.

E é aqui que vale a pena desfazer um mito. Durante muito tempo contou-se que o fado vinha dos cantos dos mouros, um lamento árabe que teria ficado nestas ruelas. É uma ideia bonita e romântica, mas os historiadores da música não encontram provas dela.

O que os documentos mostram é outra viagem, mais recente. No princípio do século XIX, dançavam-se em Lisboa o lundum e a fofa, danças de origem afro-brasileira, vindas do Brasil num tempo em que Lisboa e o Rio de Janeiro trocavam navios, gente e canções. Misturaram-se com a modinha, com as cantigas dos marinheiros e com a vida dura dos bairros pobres. Por volta dos anos 1820 e 1830, já se ouvia nestas ruas uma coisa a que se chamava fado.

Ou seja, o fado é filho de muitas margens, africanas, brasileiras e lisboetas, e por isso fica tão bem numa rua como esta, onde se cruzam meio mundo e meia dúzia de religiões. Segue até ao fim da Rua do Benformoso. Vais desembocar numa praça comprida e aberta, que tem o nome de um cavaleiro que, segundo a lenda, morreu entalado numa porta.

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