Praça do Príncipe Real
Why is it significant?
Entra no jardim e procura o centro: uma árvore enorme, de ramos estendidos na horizontal sobre uma estrutura de ferro, faz uma sombra redonda onde os mais velhos jogam às cartas e os leitores se esquecem das horas.
Key Facts
| Place | Praça do Príncipe Real |
|---|---|
| Address | Praça do Príncipe Real, 1250 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71680, -9.14870 |
| Part of Walk | A Lisboa de Pessoa: Chiado e Bairro Alto, de livro em livro |
| Generated | Generated |
Entra no jardim e procura o centro: uma árvore enorme, de ramos estendidos na horizontal sobre uma estrutura de ferro, faz uma sombra redonda onde os mais velhos jogam às cartas e os leitores se esquecem das horas. É um cedro-do-buçaco, com uma copa de mais de vinte metros, e talvez a sala de leitura mais bonita de Lisboa.
Este alto já foi um estaleiro de sonhos falhados. Depois do terramoto de 1755, começou-se aqui a construir uma nova sé patriarcal, mas o edifício provisório ardeu e o projeto foi abandonado. Durante décadas, os lisboetas chamaram ao sítio Patriarcal Queimada. Debaixo dos teus pés esconde-se ainda o Reservatório da Patriarcal, uma cisterna octogonal do século XIX que guardava água para a cidade.
Olha agora para os palacetes à volta. O mais extravagante, com arcos e rendilhados de inspiração mourisca, é o Palacete Ribeiro da Cunha, do fim do século XIX. Foi aqui que se instalou a burguesia endinheirada do liberalismo, gente que lia o jornal de manhã, ia ao São Carlos à noite e comprava livros na Bertrand... precisamente as personagens que Eça adorava pôr a ridículo nos seus romances.
Até o nome da praça conta a história do país. Homenageava um príncipe herdeiro da casa real, e depois da implantação da República, em 1910, passou a chamar-se Praça do Rio de Janeiro. Mas os lisboetas continuaram a dizer Príncipe Real, e o nome antigo acabou por regressar. As cidades, tal como os poetas, também têm heterónimos.
E assim chegas ao fim do caminho. Começaste na livraria mais antiga do mundo, passaste pela janela onde nasceu Pessoa, pelo gigante de Camões, pelas conferências caladas da Geração de 70 e pelos jornais do Bairro Alto. Senta-te num banco à sombra e abre um livro, qualquer um serve. Em Lisboa, os escritores nunca andam longe; às vezes estão em bronze, numa esplanada, à espera de que alguém se sente ao lado deles.