Largo Rafael Bordalo Pinheiro: as Conferências do Casino
Why is it significant?
Procura a fachada que parece um livro ilustrado: um prédio todo coberto de azulejos, com grandes figuras alegóricas de mulheres a representar as artes, o trabalho e os elementos.
Key Facts
| Place | Largo Rafael Bordalo Pinheiro: as Conferências do Casino |
|---|---|
| Address | Largo Rafael Bordalo Pinheiro, 1200 Lisboa, Portugal |
| Geo Coordinates | 38.71160, -9.14170 |
| Part of Walk | A Lisboa de Pessoa: Chiado e Bairro Alto, de livro em livro |
| Generated | Generated |
Procura a fachada que parece um livro ilustrado: um prédio todo coberto de azulejos, com grandes figuras alegóricas de mulheres a representar as artes, o trabalho e os elementos. É obra de Luís Ferreira, conhecido como o Ferreira das Tabuletas, um pintor de azulejos que decorou este prédio nos anos 1860.
Nessa época, o largo chamava-se Largo da Abegoaria, e numa das suas salas funcionava o Casino Lisbonense. Na primavera de 1871, um grupo de jovens escritores e pensadores, com Antero de Quental à cabeça, alugou a sala para uma série de conferências sobre o estado do país. Ficaram conhecidas como as Conferências do Casino, e aquela geração passou à história como a Geração de 70.
Antero abriu o fogo com as causas da decadência dos povos peninsulares, e apontou o dedo ao catolicismo da Contrarreforma, ao absolutismo e às conquistas que tinham enriquecido poucos e empobrecido o resto. Eça de Queirós veio defender o realismo: uma literatura que olhasse para a sociedade tal como ela era, sem enfeites nem heróis de papelão. A Lisboa bem-pensante nunca tinha ouvido nada assim dito em voz alta.
Não durou muito. No fim de junho de 1871, antes da conferência seguinte, o governo mandou encerrar a sala, acusando os oradores de atacar a religião e as instituições do Estado. Os escritores protestaram, mas as portas ficaram fechadas. Ironicamente, a proibição foi a melhor publicidade que a Geração de 70 podia ter tido: o país inteiro ficou a saber o nome deles.
O nome atual do largo homenageia Rafael Bordalo Pinheiro, caricaturista e ceramista, que em 1875 inventou o Zé Povinho, o homem do povo que responde aos poderosos com um manguito. Um gesto que, convenhamos, assenta bem neste largo. Segue agora para noroeste até ao Largo Trindade Coelho, onde uma igreja de fachada simples esconde a capela mais cara de Lisboa.